Landmvrks marca 1a passagem no Brasil – mas quem são eles?
Fazendo um trabalho bastante expressivo na cena metalcore, eles misturam dentro da sua musicalidade elementos de djent, prog e até linhas de hip-hop em francês
Por PABLO SARMENTO
A banda francesa Landmvrks se apresenta no Carioca Club em São Paulo no próximo dia 20/09, trazendo o show da turnê do disco “The Darkest Place I’ve Ever Been” lançado em 2025 e conta com excelentes avaliações da imprensa especializada por conta dos pesos de suas letras e pela agressividade no palco do seu vocalista Florent Salfati.
Não conhece? Calma que a gente te conta. 😉
Landmvrks é uma banda que vem fazendo um trabalho bastante expressivo na cena metalcore. A banda conta com riffs pesados e mistura dentro da sua musicalidade elementos de djent, prog e até linhas de hip-hop em francês. Uma habilidade que impressiona quem escuta pela primeira vez o quinteto da cidade Marseille.
Além do vocalista Florent (chamados pelos fãs apenas de Flo), o grupo conta com Rudy Purkant no baixo, Nicolas Exposito e Paul Cordebard nas guitarras e Kevin D’Agostino na bateria.
A França no cenário do rock
A cena francesa de rock sempre teve grandes expoentes entre o ramo do metal, com o recente destaque para o Gojira – que acabou tocando na abertura das Olimpíadas de 2024 em Paris e venceu o Grammy de melhor performance de metal em 2025 pela música “Mea Culpa (Ah! Ça ira!)”, com participação de Marina Viotti & Victor Le Masne.
Além disso, temos os recentes destaques como The Novelists com excelente Camille Contreras em uma química muito interessante de uma vocal totalmente voltada para o pop misturando com o djent das guitarras da banda de Lyon.
Na última semana, aliás, o Brasil também recebeu a banda de black metal/blackgaze chamada Celeste em um show com muita agressividade e técnica apurada do quarteto que não trocou uma palavra com o público e apenas agradecia fazendo chifrinhos com os dedos. Ronnie James Dio estaria em casa.

A França é a casa de uma dos maiores nomes de banda de screamo dos anos 2000. A grandiosa Daïtro é oriunda de Lyon, fez muita história dentro do mundo emo com suas músicas emocionantes, caóticas e com muita agressividade. Uma referência para quem gosta do estilo atualmente e com apenas 3 discos deixou uma marca poderosa na cena emo.
Não podemos esquecer também do fenômeno do pop punk Chunk! No, Captain Chunk!, que, com suas letras em inglês, conquistaram a cena do hardcore com seus riffs velozes e mix de vocais com gritos guturais e agudos com shows enérgicos e de alta intensidade.
O ponto e o lugar sombrio
Landmvrks é uma banda que foi formada em 2014 na cidade de Marselha, com o nome de Coldsight, e em 2015 mudou para o nome conhecido que se tornou popular. Segundo a jornalista Nadine Schmidt, da revista alemã Metal.de, o primeiro disco da banda intitulado “Hollow” soava como a banda americana Hundredth e lembrava muito também as primeiras fases da banda britânica Architets.
A banda cita oficialmente que suas influências passam por Gojira, Stick Your Guns, Hatebreed, Kendrick Lamar e Box Car Racer.
O quarto e mais recente disco da carreira dos franceses, “The Darkest Place I’ve Ever Been”, de 2025, destaca-se por ser uma obra que mistura muitos elementos da banda e retorna o estilo deles para algo mais perto da metalcore, muito mais em linha com o seu segundo disco “Fantasy”, que mostra claras influências de Bring Me The Horizon e A Day to Remember, já que seu antecessor “Lost in The Waves” tinha mais elementos de hardcore e easycore.
TDPIEB foi produzido pelo vocalista Flo e pelo guitarrista Nicola e saiu pela gravadora Arising. Em um trabalho que tem como principal força mostrar os lugares mais sombrio que a banda já esteve, ele percorre caminhos bastante sombrios falando sobre tristeza, solidão e medo.
Com esta frase da faixa título do álbum, você percebe o peso do trabalho do quinteto:
“I’ve been trapped in this cage for so many years
I’ve been through the darkest place I’ve ever fucking been
I want to you know that I created my own hell
The darkest place I’ve been”
Durante a escuta do disco, você percebe riffs pesados alternando com refrões que explodem em seus ouvidos e ao mesmo tempo com momentos em que Flo transita entre gritos em inglês e raps em francês. Sobre essa alternância de idiomas, o guitarrista Nicola falou com a Rocksound.
“Como não somos falantes nativos de inglês, às vezes é difícil escrever letras exatamente da maneira que queremos. Nós adoramos rap, e o Flo já escrevia versos de rap muito antes de começar a fazer metal”, explica ele. “E, quando se trata de escrever nesse estilo, é muito mais natural para ele fazer isso em francês. Ele domina o vocabulário e as gírias, e sabe exatamente quais sentimentos quer transmitir aos fãs. Tenho a impressão de que, se ele começasse a escrever um verso de rap em inglês, acabaria pensando demais no processo. Também é uma questão de cultura. Por isso, faz todo o sentido optar pelo francês”.
Já o site da revista Kerrang, em seu review escrito por Emma Wikes, descreve o disco de Landmvrks bem assim:
“Não há como imitar a agressividade típica do nu metal de manual (embora ‘The Great Unknown’ deixe bem claro que eles tinham pôsteres do Linkin Park nas paredes durante a juventude — o que não é um defeito, de forma alguma): os versos de Flo, fluidos, ágeis e em francês, são incrivelmente satisfatórios, quer você entenda o que ele diz ou não. ‘Sombre 16’ abraça corajosamente o hip-hop e o executa com naturalidade, enquanto ‘La Valse Du Temps’ transita para uma abordagem melancólica do gênero conduzida pelo piano, e ‘Blood Red’ sintetiza com maestria os polos opostos da sonoridade da banda”.
O vocalista Florent Salfati tem uma visão bastante interessante da construção do seu disco. Ele o descreve como um monstro que vai crescendo. Na entrevista que ele deu para o Crunchyroll, sua descrição é assim: “a narrativa central deste álbum gira em torno de uma criatura, uma manifestação de medos e ansiedades humanos. Essa criatura evolui ao longo do álbum, revelando diversos aspectos de sua história e das experiências que vivencia”.
“The Darkest Place I’ve Ever Been” conta com destaque também para a música “Line of In the Dust”, que traz a participação de Mat Welsh do While She Sleeps, Blood Reed e Sufur.
No resumo, Landmvrks marca uma nova fase no metal e ainda tem muita lenha para queimar.
E no Brasil…
No próximo dia 20 de setembro, com abertura da excelente banda brasileira AXTY, Landmvkrs se apresenta no Carioca Club, fazendo sua estreia nos palcos BR, e você pode embarcar nessa viagem com muito metal/hip-hop e acompanhá-los nesses lugares sombrios. Você ainda pode adquirir seu ingresso aqui.