Jornalismo de cultura pop com um jeitinho brasileiro.

Bangers Open Air 2026: bem-vindo à quermesse dos metaleiros

E antes que alguém reclame, isso não é um defeito, muitíssimo pelo contrário: é o maior e mais delicioso dos elogios! <3

Por THIAGO CARDIM

Foto: DiegoPadilha_MHermesArts

Desde a primeiríssima edição, quando ainda atendia pelo nome de Summer Breeze, o festival Bangers Open Air me trazia uma sensação, digamos, peculiar. Como jornalista especializado em música e que já esteve em uma pancada de festivais musicais ao longo das últimas duas décadas (Rock in Rio, TIM Festival, Maquinária e por aí vai), dos mais diferentes tamanhos, eu sentia um sentimento… diferente. Não estranho. Aliás, pelo contrário. Um sentimento quase “familiar”.

Ano passado, no entanto, meio que me caiu a ficha. Era um sentimento de ACOLHIMENTO. Quase um abraço. A querida Bruna Soares, lá no BlueSky, fez uma descrição bem apurada da coisa toda: “o Bangers é como se fosse o Natal dos metaleiros, a cidade de interior onde todo mundo se encontra na pracinha no fim do ano Sempre rola uns reencontros massa, umas oportunidades de conhecer pessoalmente web amigos, eu adoro esse festival”.

Ouvi muita gente usando a descrição de “Natal dos metaleiros”, mas acho que “quermesse” cabe melhor. Porque é a sua família encontrando a família da sua galera e percebendo que é tudo uma grande família. Porque me passa aquela coisa de festa do interior, um tipo de celebração pequena, intimista, que só aquelas poucas pessoas conhecem pra valer… por mais que tenha milhares de pessoas ao seu redor, rs. Porque é naturalmente um nicho bem fechado de fãs. Que, ali reunidos, vêm de diferentes cidades do país, mas que vão encontrando os amigos, os amigos dos amigos, os primos dos amigos, aqueles que você cumprimenta de longe, aqueles que você abraça bem apertado e aqueles que você pensa “pô, acho que conheço aquele cara”. E, bom talvez conheça mesmo.

Puro e simples acolhimento, ao som de canções sobre cavaleiros cortando a cabeça de dragões, demônios queimando toda a realidade com chamas eternas ou espíritos das trevas que se escondem nas sombras do seu quarto.

Quer um exemplo?

No sábado, pouco antes de irmos para o show do Seven Spires no palco Waves, eu e o Rato (meu grande amigo e eterno mestre de RPG #familia013) sentamo-nos na praça de alimentação pra comer uma pequena pizza um tanto superfaturada. Dividimos a mesa com um casal mais velho, que veio do interior de São Paulo junto com a filha, que tinha algo por volta de 20 e poucos anos.

Passamos ali cerca de 1h trocando altas ideias sobre o festival, sobre shows, sobre nossas bandas favoritas, sobre perrengues na estrada, sobre grandes vocalistas, sobre a pena que foi não termos o Twisted Sister na escalação. Com pessoas completamente desconhecidas. Nós para eles e eles para nós.

Pessoas das quais eu sequer lembro o nome. E tá tudo bem. Porque se tornaram figuras queridas que, num próximo festival, se nos reencontrarmos, certeza que vão se lembrar de nós e vamos conversar sobre como foram as coisas e qual o show que eles mais querem ver desta vez.

A mesma coisa com certeza vai acontecer quando encontrar aquele casal divertido que rebolou ao meu lado no show do Feuerschwanz, dançando com “Knightclub” e berrando “Festa no Apê” a plenos pulmões. Ou talvez com os pais que rolaram de rir com o tanto que o filhote deles, um pequeno do alto de seus talvez cinco aninhos, ficou me acompanhando intrigadíssimo a cada batida de cabeça que eu dava durante o show do Smith/Kotzen.

Ou mesmo com o queridíssimo que, de leque preto em punho e uma regatinha estilosa do Amon Amarth, surtou junto com a gente todas as vezes em que o Angra tocou qualquer música da fase com o Edu – “Rebirth”, “Nova Era”, “Millenium Sun” e principalmente “Heroes of Sand”.

Todo o carinho pro Metal Espadinha

No domingo, já que ia conferir a dobradinha Primal Fear/Roy Khan, resolvi ir ao evento trajando a minha camiseta em homenagem ao Metal Espadinha, com arte de Marcos Caldas, que comprei na loja d’As Baratas. Essa aí da foto mesmo.

E foi uma experiência igualmente divertida. Três pessoas diferentes pararam pra me dizer que era uma estampa muito legal. Um true jaquetinha passou por mim, cutucou o amigo e ambos caíram na gargalhada. Dois caras ligeiramente breacos me pararam, ficaram olhando diversos detalhes (incluindo o sujeito fortão que parece o mascote do Manowar e o arco-íris que claramente é uma referência ao Rainbow e, portanto, ao Dio, considerado um dos paizões do metal espadinha).

Além do cara que fez questão de me parar e tirar uma foto comigo. Não por causa do meu site, do canal, do podcast. Mas sim por causa da camiseta que eu tava usando. Tudo bem, tá valendo. 😀

E obviamente, todo mundo que me parou, não importa de que forma, tratou de perguntar “mas e aí, cara, onde você comprou essa camiseta?”. E eu disse.

“Ninguém gosta de metal espadinha, isso nem tem o real peso que o metal deveria ter”, dizem os defensores do metal como sendo apenas uma boa e velha porradaria extrema (que também é boa, veja). Bom, não foi isso que eu percebi, hahahahahahaha

Em tempo…

Se você tá querendo ver as nossas opiniões sobre os shows deste ano, a gente (no caso, eu, hahahaha) fez um vídeo especialmente sobre isso lá pro YouTube, dentro da playlist “Momento Gibizilla”. Vou colocar aqui pra vocês acompanharem e darem aquela moralzinha, né?

Além disso, também participei de uma live com os queridos do Porque! Metal, fazendo uma divertida avaliação geral do evento. Se puderem dar aquele play maroto, também vai ser bem legal. <3


::: Veja a nossa playlist de entrevistas em vídeo do BANGERS OPEN AIR :::
::: Se liga no destaque dos stories que fizemos do BANGERS OPEN AIR :::

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