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Quando os heróis renascem

Nosso heroico colaborador convidado, editor do site CinemAqui, se submeteu à inglória missão de enfim ler a íntegra de Heróis Renascem, 30 anos depois do seu lançamento…

Por VINICIUS VIEIRA*

A Marvel Comics teve uma ideia. Assim mesmo, sem adjetivo, só uma ideia. Por causa dela algumas coisas deram certo, outras incrivelmente errado. Não muito bem um legado, mas nem de longe esquecida, para sempre notoriamente lembrada. Mas não esqueçam nunca, o que importava, importa e importará para uma empresa do tamanho da Marvel é o dinheiro; a arte (aquela nona) é apenas o esforço de um pequeno grupo de sonhadores que conseguem se enfiar nesse meio para fazer dinheiro para ela enquanto criam. 

Mas às vezes quem estava segurando o lápis decide ganhar dinheiro, e talvez seja nesse momento que (com desculpas pela repetição!) nasce o Heróis Renascem. 

A Image Comics

Imaginem um mundo onde os quadrinhos eram uma arte tão popular quanto o cinema. Olhando friamente, os números de vendas de quadrinhos de 1991 (por exemplo) e os de hoje nos Estados Unidos, nem são tão diferentes assim. Mas era diferente: era como se existisse Marvel e DC em dois impérios que ditavam as regras e não pareciam tão preocupadas com “o resto”.

O problema é que esse “resto” estava dentro delas, mais precisamente dentro da Marvel, fazendo alguns dos quadrinhos mais vendidos da história e colocando seus nomes em um patamar de respeito profissional que chegava até o reconhecimento nas ruas com autógrafos. Sim, existiu um momento do mundo onde desenhistas da Marvel eram reconhecidos pela rua, mas continuavam sem grana, como bons desenhistas de HQs.

Todd MacFarlane vinha de um arco no Homem-Aranha que tinha revolucionado o personagem, junto com os roteiros de David Michelinie. Rob Liefeld explodia com sua X-Force. Jim Lee, com Chris Claremont, tinha lançado a revista mais vendida da história, aquele X-Men com a capa quádrupla. Mas o dinheiro de todo esse lucro ficava com a Marvel, já que seus acordos comerciais eram de desenhistas de gibis, não de estrelas, que era exatamente o que eles achavam que eram.

“Nós ficamos muito grandes para o sistema”, não sei exatamente qual deles disse isso, mas provavelmente tenha sido Liefeld. O próprio, em 1991, contrariando o acordo de exclusividade com a Marvel, decidiu publicar independentemente uma revista chamada Youngblood. Depois disso “ameaçou” publicar “The Executioners” que era uma cópia escrachada da X-Force, o que fez a Marvel emitir um ultimato: se publicasse, seria despedido.

Além de desenhar mal, Liefeld era rebelde. Convenceu MacFarlane e Jim Lee a criarem sua própria editora. Com eles vieram Erik Larsen (ex-Homem-Aranha), Jim Valentino (ex-Guardiões da Galáxia), Marc Silvestri (X-Men e Wolverine) e Whilce Portacio (Justiceiro, X-Factor e X-Men… sim, existiam uma porção de revistas dos mutantes!). Nascia a Image Comics. Mas isso é assunto para outro texto de alguém que esteja disposto a ler toda aquela porcaria criada por esses sete desenhistas nos primeiros anos de vida da nova editora.

Mas aquilo vendeu muito. Muito mesmo!

E a Marvel?

Ia mal. Tanto de grana, quanto de criatividade. Não que nada estivesse funcionando nesse período, mas tinha coisa que simplesmente se arrastava mês a mês. Vingadores e Homem de Ferro vinham de uma fase maluca onde Tony Stark era um traidor manipulado por Immortus, que na verdade era uma versão do Kang. Quarteto Fantástico, sejamos sinceros, ninguém se importava mais naquele momento, mesmo eles sendo um dos maiores ativos da editora. 

Já o Hulk vinha de quase dez anos nas mãos de Peter David, um caminho que começou incrível, ficou surpreendente, divertido e começou a cansar o público. Por outro lado, o Capitão América já tinha sofrido tudo que tinha que sofrer nos últimos anos, mas começava a entrar nos eixos nas mãos de Mark Waid e Ron Garney. Azar deles, já que a Marvel tinha planos maiores para todos esses personagens.

Do outro lado da mesma moeda, os X-Men iam muito bem (“obrigado”) vendendo muito gibi com a Era de Apocalipse. O outro campeão de vendas era o Homem-Aranha com sua Saga do Clone, que você pode não gostar, mas acredite, vendeu muito (MUITO!).

Mas no meio disso tudo (na verdade no alto) existia um homem chamado Gerard “Jerry” Calabrese, um cara que tinha subido de algum cargo do marketing da Marvel até a presidência da editora. É dele a ideia de dar um reboot nas revistas que não estavam vendendo muito bem e dar as novas linhas para quem estava vendendo muitos gibis: a Image.

Falando assim parece burrice, mas analisando a fundo também é. A concorrente vendia muito e, cada vez mais, se tornava “a cara dos anos 90”, mas qualidade editorial não era sua melhor característica, assim como organização. Por exemplo, a média de edições da Image que estavam sendo entregues no prazo para seus leitores era a mais baixa entre as líderes, algo perto de somente 15% de edições no prazo. Além disso, nessa grande batalha de egos e personagens coloridos parecendo copiados da Marvel e da DC, com poucas exceções, nada ali soava realmente novo ou surpreendente. Então por que chamar esse pessoal para “renovar” a Marvel? Pergunte ao Calabrese.

A estrutura era simples, Rob Liefeld ficaria a cargo dos núcleos dos Vingadores e do Capitão América, Jim Lee, com Quarteto Fantástico e Homem de Ferro. Mas lá dentro da Marvel, Mark Waid, Scott Lobdell e Andy Kubert ficaram responsáveis por criar uma saga que tirasse alguns de seus personagens (e ativos) mais clássicos do “universo normal”, para que pudessem “reviver” em um universo novo e próprio.

Por incrível que pareça, a ideia era boa. Diante de mais uma batalha entre Magneto e os X-Men, o subconsciente do Professor X e do vilão se juntam em um novo vilão imbatível: o Massacre. Na derradeira batalha, Vingadores e Quarteto Fantástico (com seus agregados) se sacrificam para vencer o vilão quebrando seu campo de energia e sumindo.

Na verdade, todos vão parar em um “universo compacto” (“Pocket Universe”) criado por Franklin Richards, filho de Reed e Sue, do Quarteto Fantástico.

Os Heróis Renascem

Do mesmo jeito que a Image era separada por estúdios que criavam seu material meio independente e separado, os Heróis Renascem vinham do mesmo jeito, com Liefeld e seu Extreme Studios e Lee com seu WildStorm. Os números chegavam perto de US$ 3 milhões de bônus para cada um, controle editorial total e um bom orçamento para criar uma equipe de artistas que fossem dar conta das quatro revistas: Quarteto Fantástico, Capitão América, Homem de Ferro e Os Vingadores (o Hulk ficou perdido pulando de um lugar para outro).

O acordo era inicialmente de seis números, com previsão de 12 para fechar a série e, muito provavelmente, manter esse universo ou fazer com que esses “novos velhos personagens” voltassem para a cronologia recorrente da Marvel (Universo 616).

É lógico que a ideia foi um sucesso inicial, afinal, a Image ainda era a queridinha do mercado e todo mundo queria ver seus talentos de volta à Marvel. A primeira metade em curiosidade, a segunda em inércia, já que todo mundo queria saber onde aquilo chegaria, mesmo cada vez mais precária e desinteressante.

Em meio a isso tudo, Calabrese perdeu seu emprego para Bob Harras, ex-editor da linha dos X-Men que em entrevista à época foi bem claro: “Os Heróis Renascem não seria um Reboot ao estilo DC Comics, a cronologia da Marvel era uma ideia importante demais para apagar aqueles 30 anos de história, portanto, aqueles heróis estavam lá vivendo em uma outra realidade do mesmo jeito que os X-Men ‘viveram’ a Era do Apocalipse”. É óbvio que ele não disse exatamente nessas palavras, mas foi isso que ele quis dizer.

Portanto, Lee e Liefled tinham um playground, mas era melhor eles não se empolgarem muito.

Bem antes do MCU

A fórmula de Heróis Renascem era simples, quatro séries que se entrelaçavam enquanto criavam arcos sozinhos e caminhavam sempre juntas até culminarem em uma fase meio juntos. E se você já viu isso duas décadas depois com o MCU de Kevin Feige, lembre que nada se cria. A diferença entre o Heróis Renascem e o MCU é a qualidade.

Jim Lee e Liefeld (principalmente esse!) não conseguiram realmente fazer algo minimamente decente ou recordável. Mas ainda assim tudo era muito bem organizadinho, o que talvez seja umas das únicas poucas coisas boas do Heróis Renascem.

Dividindo tudo em três momentos, o primeiro é, justamente, aquele onde os leitores eram apresentados para todos os personagens e suas novas origens enquanto construíam esse mundo. E por incrível que pareça, o carro-chefe de toda essa “experiência quadrinística” era para ser o Capitão América de Rob Liefeld. Ao melhor estilo “Método Marvel” de roteiro, Liefeld tinhas as ideias, algo como o argumento, e também fazia os desenhos, deixando para Jeph Loeb a responsabilidade de encher aquilo tudo de diálogos e recordatórios. 

Algumas fofocas sobre esse período apontam que Liefeld chegou a convidar Waid para “escrever” o roteiro de Capitão América, já que ele estava no personagem, mas Waid deixou claro em diversas oportunidades que recusou a oferta quando percebeu que não teria absolutamente nenhuma liberdade criativa, função que ficou para Loeb.

O roteirista já tinha uma certa experiência, tanto no cinema (escreveu o “clássico” Teen Wolf,  pessimamente batizado no Brasil como “O Garoto do Futuro”), quanto nas HQs, onde estava prestes a começar sua parceria com o desenhista Tim Sale que resultaria em O Longo Dia das Bruxas e mais um monte de ótimos outro momentos. A diferença aqui era Liefeld.

Capitão América partia de uma premissa interessante, de um herói que sobreviveu à guerra, mas quando começou a discordar do governo americano, sofreu uma espécie de lavagem cerebral e se tornou uma espécie de “agente adormecido” que “volta” sempre que o governo precisa de um soldado perfeito.

Entre desproporções malucas, distorções corporais sem sentido e pés hilariantes, Rob Liefeld entrega alguns de seus piores trabalhos. Tudo é feio, sem sutileza e ridículo. O vilão parece uma versão nazista do Cable e todas soluções visuais passam por essa incapacidade do desenhista de respeitar qualquer anatomia humana. É difícil acreditar que Loeb pudesse fazer alguma coisa, por exemplo, diante de uma “splash page” dupla onde Liefeld decide desenhar uma dezena de suásticas para deixar claro que o Grande Mestre e seu séquito são os vilões.

Mas por incrível que pareça, a intenção é boa e a ideia perdura até o final da série sempre que o Capitão não precisa interagir com o resto dos personagens. Esse mundo onde um grupo extremista está tentando, a todo custo, reacender a chama do racismo nos Estados Unidos… se é que um dia ela se apagou. Saber que em 1996 a Marvel se permitiu discutir isso e deixar que o Capitão América, mesmo com o corpo deformado por uma quantidade enorme de músculos que não existem e uma águia na cabeça em vez do “A”, pudesse descer porrada em um monte de racistas, é sempre divertido.

O arco dura as cinco primeiras edições em uma só lida, quase como uma mesma história em que apresenta o Capitão e a dinâmica dele com a SHIELD e Nick Fury, que serão importantes para o resto do Heróis Renascem. Há também a presença do futuro Falcão, que ganha seus poderes a partir de uma “transfusão de sangue” do próprio Capitão. As aspas estão aí, porque o líquido que sai do corte do herói é verde e escorre para dentro da boca do Sam Wilson, então é melhor esquecer isso.

Ainda dentro desse primeiro momento, as duas primeiras edições do Quarteto Fantástico parecem muito mais coerentes. Jim Lee assina os desenhos enquanto ele e Brandon Choi ficam responsáveis pelo argumento e roteiro (no mesmo esquema do Liefeld e Loeb). Talvez não seja exagero apontar que esse seja um dos trabalhos mais caprichados e bonitos de Lee, que foca no visual, mas também parece entender muito melhor do que Liefeld a ideia da linha: trazer os velhos personagens para um novo mundo.

O Quarteto Fantástico de Lee parece nascer realmente no meio dos anos 90, mas sempre se esforçando para prestar essas homenagens e tentar espremer 30 anos de referências em 12 edições. Do primeiro ao último número, Quarteto Fantástico pode até ser a série que menos inova na sua narrativa, mas como certeza é a única que consegue fazer com que todas edições pareçam pertencer a uma mesma história, se interligando e construindo, praticamente, toda dinâmica que carrega o Heróis Renascem do começo ao fim.

Mas juntando as três primeiras edições do Quarteto, as cinco do Capitão e a primeira dos Vingadores é possível enxergar claramente esse esforço coletivo de ter uma história que fica em pé com essas nove edições. Mas infelizmente, Liefeld está de volta. Seus Vingadores têm o texto do Jim Valentino, que trabalhava com ele na Image, e o resultado dessa primeira edição é chocante de tão ruim. A história é difícil de acompanhar e a escolha dos personagens e suas personalidades beira o ridículo. Quem em sã consciência com a possibilidade de escolher dezenas de personagens para sua equipe escolheria o Espadachim? E aquele Gavião Arqueiro que parece o Wolverine? Nada funciona nesse primeiro momento e nem em mais nenhum outro.

A grande batalha envolvendo o Capitão, Quarteto e os Vingadores não impressiona ninguém, tem uma questão eco preguiçosa e só deixa claro o quanto o desastre está só começando.

Universo Compacto, Homem de Ferro, Hulk, Kang e Vice-Versa

Antes do Homem de Ferro e do Hulk darem as caras pela primeira vez, os leitores ainda tiveram que aguentar mais duas edições dos Vingadores se quisessem seguir essa espécie de cronologia lógica. O que, depois do primeiro momento soando organizado, começa a ficar esquisito, já que as edições saíam regularmente mês a mês e, provavelmente, quem estava acompanhando tudo na sequência já estava achando que as ideias estavam indo e voltando pelas revistas sem uma sequência muito lógica. Encontrar essa “linha” só seria possível diante de uma releitura. Mas quem chegasse ao final das 12 edições de todas as séries, dificilmente voltaria a ler qualquer coisa desse desastre.

Mas não importa, porque os Vingadores em sua terceira e quarta edição tiveram que encarar o Kang. Mas um Kang com motivações ridículas e uma paixão à moda do Thanos. Liefeld está de volta vomitando umas ideias livres e amplas, Valentino não consegue dar muita conta de encaixar tudo em algo que faça sentido e Chap Yaep é responsável pelos desenhos, o que demonstra uma melhora, mas não tanto assim.

No final das contas, a impressão é que essas duas edições serviriam para desenvolver mais alguns dos personagens, mas parece afastá-los ainda mais do grupo e o resultado é de que tudo aquilo é um enorme desperdício de papel. Não que o valha lê-lo no digital. 

Surge então o Homem de Ferro. O roteiro e a ideia são assinados por Jim Lee e J. Scott Lobdell, mas todo mundo só lembra mesmo das artes do Whilce Portacio, que participou de seis edições do personagem e conseguiu fazer um Homem de Ferro que, se não é um acerto completo (visualmente falando), pelo menos consegue ser uma revisão interessante. É claro que é preciso levar em conta que esse acerto vem também com um roteiro/argumento que, muito provavelmente, é o único do Heróis Renascem que realmente tenta fazer algo realmente novo e consegue.

Lee e Lobdell entregam logo de cara uma origem que vai completamente para longe do personagem clássico e funciona bem misturando essas ideias tecnológicas da época com mudanças divertidas dos personagens e da dinâmica entre eles. Tony Stark é ainda menos simpático e tem sua “transformação” intimamente ligada ao Hulk, que é um coadjuvante da revista, mas tem um visual e uma origem interessantes e que fazem os leitores criarem boas expectativas. E tudo isso em apenas uma edição.

Já a segunda e terceira edição completam esse primeiro arco com muita ação e a impressão que todo mundo ali está realmente em sintonia com a ideia de produzir um gibi mensal divertido, pescoços enormes desenhados pelo Whilce Portacio e absolutamente nenhuma explicação da razão da armadura do Homem de Ferro ter dois escapamentos.

Mas ainda tem mais enquanto o Hulk esmaga

O final dessa primeira fase ainda tem o Hulk. Nas duas próximas edições do Homem de Ferro o leitor conhecerá o Laser Vivo e o Mandarim. Com o primeiro o “dono da revista” “quebrando o pau” durante boa parte da edição, o outro, aparece só no finalzinho para dar aquela sensação de “nos próximos capítulos”. Entretanto, nada disso parece funcionar, principalmente, pois é difícil um monte de gente com pouca capacidade de escrever boas histórias, ter que fazer isso em um número muito curto de edições e ainda tendo de lidar com um coadjuvante maior que o protagonista e um final que não tem controle.

Diante da certeza de que nada daquilo seria aproveitado dentro da cronologia após o 12° número, desenvolver algo com calma e capricho é absolutamente impossível quando a impressão que se tem é de uma imposição para encher as edições de referências à história clássica dos personagens.

Isso também significa ter que enfiar o Hulk em algum lugar, já que ele não tinha uma revista para chamar de sua. Durante esse primeiro momento, o “Gigante Esmeralda” começa ligado ao Homem de Ferro, mas logo depois parece meio solto dentro da revista e parece só estar lá, porque precisa chegar aos Vingadores.

Nas duas outras edições do grupo de heróis que não são nem perto os “melhores da Terra”, Liefeld continua tentando desenvolver um monte de personagem descartáveis e desinteressantes, agora com um Hulk que aparece por lá só para trocar porrada com o Thor e conseguir lançar no mercado uma revista onde não acontece absolutamente nada que preste para aquela história e talvez esteja lá só para preparar o que vem a seguir.

E o pior: a gente ainda está só no começo… 

(CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO)

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* Editor, criador e crítico do CinemAqui, jornalista por formação, escritor por definição e chato por natureza. Viu filmes demais e leu mais quadrinhos do que devia, o resultado foi essa vontade de discutir, entender e se emocionar com ambos. Se tornou crítico de cinema pelo amor à Sétima Arte e continua a cada dia ainda mais apaixonado por cada frame, quadro, quadrinho ou linha escrita.

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