Gibis para ler depois de Homem-Aranha: Um Novo Dia
Quadrinhos que, de alguma forma, inspiraram o que você viu no cinema – ou que se relacionam com o que foi contado no filme.
Por THIAGO CARDIM
Tinha uma parada que era expediente padrão lá no JUDÃO.com.br toda vez que saía um filme baseado em quadrinhos de heróis: construíamos uma listona de HQs que, de alguma forma, se comunicam com a história e/ou são referenciadas na trama e/ou apresentam este ou aquele personagem, para matar a curiosidade de quem nunca leu nada a respeito.
Eu cheguei a escrever sobre Liga da Justiça, Demolidor, Thor: Ragnarok, Pantera Negra, Capitã Marvel, Shazam, Vingadores: Guerra Infinita, Vingadores: Ultimato e, claro, Homem-Aranha: Longe de Casa. Achei que, com a estreia do novo filme do Teioso, Homem-Aranha: Um Novo Dia, ia ser um bom momento de retomar esta prática.
Vem com a gente? 😉
PS: Por motivos meio óbvios, dá pra entender que este texto tem a sua dose de SPOILERS. Então, acho que faz mais sentido que você venha ler estas recomendações caso já tenha assistido ao filme, tá?
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UM NOVO DIA
A história: Um Novo Dia é justamente um daqueles casos em que o título pode enganar (tipo Guerra Civil, por exemplo). O arco publicado pela Marvel em 2008 marca uma enorme mudança na vida do Homem-Aranha depois de Apenas um Dia: depois de um pacto com o diabão Mefisto (afe…), Peter Parker volta a ser solteiro, sua identidade secreta retorna a ser desconhecida do público e uma série de novos personagens e ameaças começa a ocupar seu cotidiano. É um ponto de partida interessante para entender uma das grandes reinvenções do personagem no século XXI — mesmo que tenha muito pouco a ver, em termos de trama, com o filme que recebeu o mesmo nome.
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O OUTRO: EVOLUÇÃO OU MORTE
A história: Em O Outro, publicado originalmente entre 2005 e 2006, Peter Parker descobre que existe algo muito mais profundo por trás de seus poderes. Uma misteriosa transformação começa a afetar seu corpo, enquanto ele é confrontado com a possibilidade de que sua ligação com a aranha que o picou seja mais literal — e mais estranha — do que imaginava. A história leva o Homem-Aranha para um terreno quase místico (que tá longe de ser UAU, nossa, que legal), com Peter encarando uma versão muito mais instintiva e literalmente aracnídea de si mesmo, teia orgânica e o pacote completo. É uma boa leitura para quem gosta da ideia de explorar o que significa ser, literalmente, o Homem-Aranha.
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A TEIA CONTRA O FERRÃO
A história: Publicada originalmente em The Amazing Spider-Man #19–20, de 1965. Mac Gargan ainda não era exatamente o Escorpião que conhecemos hoje quando fez sua estreia. J. Jonah Jameson financia uma experiência para transformar o investigador particular em uma arma capaz de derrotar o Homem-Aranha — e o resultado, evidentemente, dá muito errado. É uma história fundamental para entender a relação entre Gargan, Jameson e Peter Parker, além de apresentar um dos vilões clássicos que mais persistentemente voltou para infernizar a vida do herói. E, de quebra, mostra o Homem-Aranha em sua forma mais clássica: piadista, improvisador e absolutamente irritante para o sujeito que está tentando matá-lo.
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CUIDADO COM… A VIÚVA NEGRA!
A história: Publicada originalmente em The Amazing Spider-Man #86, de 1970. Viúva Negra (no caso, ainda a original, Natasha Romanoff) estava entrando numa nova fase de sua trajetória quando passou a cruzar com o Homem-Aranha com mais frequência, e este encontro é um bom retrato de uma época em que Natasha ainda era tratada como uma adversária ambígua, sofisticada e perigosíssima. Ela sai da aposentadoria e volta à ação, com um novo uniforme (no caso, a versão preta que conhecemos nas telonas do MCU). A graça está justamente no contraste: de um lado, a espionagem e a experiência de Natasha; do outro, o improviso e a tagarelice de Peter. É uma dupla que funciona porque seus métodos não poderiam ser mais diferentes — e porque Peter, como sempre, não consegue ficar quieto nem quando deveria.
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UM AMIGO EM APUROS!
A história: Publicada originalmente em Marvel Team-Up #14, de 1973. É uma história que aproveita uma das melhores características de Marvel Team-Up: colocar personagens que normalmente não dividiriam uma revista juntos e descobrir o que acontece quando suas personalidades entram em choque. A fim de libertar um amigo da cadeia, o famigerado Camaleão mais uma vez se disfarça de Homem-Aranha, mas, não consegue seu intento. Numa baita virada do destino, o facínora consegue enganar o Hulk, convencendo-o a ajudá-lo em seu esquema! É claro que só podia sobrar pro verdadeiro Aranha tentar detê-los… É também uma boa demonstração de como o Homem-Aranha consegue funcionar ao lado de personagens muito mais poderosos sem deixar de ser o centro da história.
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O JUSTICEIRO ATACA DUAS VEZES
A história: Não é apenas uma boa história envolvendo os dois: é a estreia do Justiceiro. Publicada originalmente em The Amazing Spider-Man #129, de 1974. Frank Castle aparece inicialmente como um sujeito obcecado em caçar criminosos e que acredita que o Homem-Aranha seja um deles. Manipulado pelo Chacal, ele parte para cima do herói — e nasce uma das relações mais interessantes da Marvel. Peter representa uma ética de responsabilidade e contenção; Frank acredita que determinados criminosos simplesmente precisam morrer. O encontro funciona justamente porque coloca frente a frente duas respostas radicalmente diferentes para a mesma pergunta: o que fazer com alguém que faz o mal?
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O CARINHA QUE VIRA HULK
A história: Apesar do título da história, que também traz o Golias Esmeralda no balaio de gato, nós escolhemos uma HQ na qual o Homem-Aranha trabalha ao lado de Jean Grey sem necessariamente termos os X-Men junto. A trama foi publicada na edição 9, e também a última, do gibi Spider-Man Family, que era uma espécie de tentativa de refazer o Marvel Team-Up de outros tempos. Quando a S.H.I.E.L.D. precisou de alguém para evitar que Bruce se transformasse no Hulk, Nick Fury recrutou Jean e o Homem-Aranha para cuidar do cientista e monitorar suas emoções. O trio passou o dia se conhecendo, e o Homem-Aranha não mediu esforços para manter Bruce calmo.
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A MORTE DE JEAN DE WOLFF
A história: Assim, não que a Jean morra no filme. Na verdade, ela ACABOU de ser apresentada no MCU, vivida pela maravilhosa atriz Liza Colón-Zayas, de The Bear. Mas ela é protagonista de uma das histórias mais trágicas do Homem-Aranha. Publicada originalmente em 1985, em Peter Parker, The Spectacular Spider-Man #107–110, a história de Peter David e Rick Buckler começa com um choque: a capitã de polícia Jean DeWolff, uma das poucas autoridades de Nova York em quem o Homem-Aranha realmente confia, é encontrada morta.
O assassinato coloca Peter diante de um problema que vai muito além de descobrir quem matou sua amiga. A investigação coloca em lados opostos duas maneiras de enxergar justiça: enquanto o Homem-Aranha tenta encontrar o responsável sem abrir mão de seus princípios, o Justiceiro aparece defendendo uma solução muito mais definitiva.
O resultado é uma das histórias mais sombrias da fase clássica do personagem e um confronto particularmente interessante entre Peter Parker e Frank Castle. Mais do que uma história policial, A Morte de Jean DeWolff é uma discussão sobre violência, vingança e os limites da justiça — e sobre o quanto o Homem-Aranha pode se aproximar daqueles que combatem o crime de uma maneira muito diferente da sua.
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GUERRAS SECRETAS
E aqui chegamos à leitura mais importante da lista para quem estiver tentando entender para onde o MCU pode estar indo… algo que a cena pós-créditos de Um Novo Dia parece sugerir.
A história: Publicada entre 2015 e 2016 por Jonathan Hickman e Esad Ribić, Guerras Secretas acontece quando as incursões levam o multiverso Marvel ao colapso. Quando tudo parece perdido, o Doutor Destino consegue fazer o impossível: reúne os fragmentos das realidades destruídas e cria o Mundo Bélico, um planeta formado por pedaços de universos diferentes e governado por ele próprio como uma espécie de deus. É uma história gigantesca sobre memória, identidade, poder e o que sobra de uma pessoa quando toda a realidade que ela conhecia desaparece.
E é justamente aí que ela pode ganhar outro significado depois de Homem-Aranha: Um Novo Dia. Se o MCU realmente estiver preparando o terreno para uma participação do Aranha em Vingadores: Guerras Secretas, essa HQ é uma das melhores maneiras de entender o tipo de conflito que pode estar esperando por ele.
Não é necessário que o filme adapte a trama página por página (e ele nem vai fazer isso mesmo, nós bem sabemos, AINDA BEM), mas conhecer o Mundo Bélico, o papel do Doutor Destino e a maneira como Hickman desmonta e reconstrói o Universo Marvel ajuda bastante a enxergar as possibilidades.
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As capas!
Ah, sim: ali no começo do filme, o diretor mete um bocado de pequenos easter eggs numa montagem, em princípio sem relação tão direta com a trama, reproduzindo capas clássicas das HQs do personagem à medida que vamos entendendo que o Cabeça de Teia andou enfrentando um monte de bandidinhos meia boca e vilões classe B nos últimos anos.
Temos AMAZING SPIDER-MAN #345 do Erik Larsen com o Bumerangue; AMAZING SPIDER-MAN #134 do John Romita com o Tarântula; AMAZING SPIDER-MAN #221 do Bob Wiacek com o Ramrod; SPECTACULAR SPIDER-MAN #142 do Sal Buscema com o Lápide; SPIDER-MAN ADVENTURES #2 do Alex Saviuk com o Escorpião; e OBVIAMENTE temos a icônica AMAZING FANTASY #15, da dupla Jack Kirby e Steve Ditko, simplesmente a primeira aparição do Homem-Aranha.
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No fim das contas, talvez a graça dessa lista esteja justamente em mostrar que não existe uma única maneira de ler o Homem-Aranha. Ele pode estar enfrentando o Escorpião em uma história de super-heróis clássica, discutindo ética com o Justiceiro, tentando acompanhar o Hulk, atravessando o universo mutante ou encarando uma transformação que questiona a própria origem de seus poderes. E é justamente essa capacidade de caber em histórias tão diferentes que fez Peter Parker sobreviver a seis décadas de quadrinhos — e continuar encontrando novas maneiras de cair, levantar e voltar para casa (entendeu o que eu fiz aqui?).
Se Homem-Aranha: Um Novo Dia deixou você querendo mais Peter Parker, portanto, não precisa necessariamente procurar outra história com o mesmo título. Às vezes, o melhor jeito de descobrir o que vem pela frente é voltar para trás.