Jornalismo de cultura pop com um jeitinho brasileiro.

A ARCA e a volta dos três velhos ranzinzas

O site de cultura pop que eu lancei com dois dos meus melhores amigos no comecinho dos anos 2000 resolveu aderir à moda dos podcasts. Quanto tempo vai durar? Nem ideia. Mas a gente se diverte enquanto pode.

Por THIAGO CARDIM

A cidade era a bela e pacata Santos, complementada pela ponte rodoviária diária rumo a São Paulo. E os protagonistas desta história, no caso, éramos nós. Julio (Almeida), Paulo (Martini) e Thiago (eu, no caso), muito prazer. Talvez você se lembre de nós. Nós, no caso, éramos uma trinca de nerds teimosos, criados à base de muita cultura pop – que descobrimos bem antes da internet existir, reunidos com amigos que eram fanáticos por cinema, quadrinhos, série de TV. E o pouco de informação que conseguíamos sobre as novidades vinham de revistas gringas como a Wizard – que, rapaz, era bem difícil de encontrar. Sabe, revista? Um negócio impresso, que você não vê no computador e tem que virar as páginas para ler? Pois é.

Criamos um site. Se você está lendo este texto, já deve ter imaginado. Existe toda uma lenda na comunidade santista a respeito dos motivos que levaram à escolha do nome – alguns, inclusive, envolvendo uma certa nave do desenho dos Transformers – mas a gente não confirma nada. Sacumé, para manter toda a mística da coisa. Nascia ali, entre pipocas no Cine Roxy e piadas de gosto duvidoso em ônibus fretados, um site chamado A ARCA. Com tracinho.

Hoje, quando falamos de sites de cultura pop, podemos citar dezenas de exemplos, para todos os gostos e tamanhos. Mas na época em que A ARCA foi ao ar, meus lindos, o negócio não era fácil, não. As assessorias de imprensa simplesmente fingiam que a gente não existia, as grandes produtoras/distribuidoras de cinema não nos davam muito espaço (“este tipo de cobertura nós reservamos apenas para grandes publicações impressas, internet ainda não é o foco”, nós chegamos a ouvir, imagina só), anunciantes não estavam nem um pouco interessados. Divulgação? Tudo na unha – e sem redes sociais, gente. Facebook e Twitter era nada além de um sonho beeeeem distante. Site? Não existia WordPress, foi tudo feito com muito sangue, suor, lágrimas e café por nós mesmos. E não tínhamos grana. Nada. Nem um centavo. Quando o site começou a se pagar e paramos de gastar dinheiro com ele, comemoramos e quase nos beijamos. Quase.

A ARCA foi algo tão lindo que deu até em casamento entre dois integrantes, vejam só (Oi, Ju! Oi, Fran!).

Mas o site acabou, em 2007. Chegou ao fim. E não porque nos desentendemos e foi um pra cada canto. Mas porque…acabou. Porque não dava mais. Porque a gente precisava seguir em frente. Porque precisava acabar. Acabou no topo.

Bom, corta pra 2020. Em plena pandemia. E aí aconteceu uma coisa. Um podcast, no caso.

Thiago Cardim (EU!), vulgo El Cid, Julio Almeida, vulgo R. Pichuebas, e Paulo Martini, vulgo Fanboy, aproveitaram o distanciamento social e conexão Santos – São Paulo – Portugal para falar sobre por onde andaram nesses últimos 13 anos, um pouco sobre cultura pop e afins e se perguntarem se alguém ainda lembra do site d’A ARCA.

Eles gostaram da brincadeira. E pode ser até que continuem. Vejamos as cenas dos próximos capítulos.

De qualquer maneira, tamos no Spotify, Deezer, Google Podcasts, Apple Podcasts e afins. O episódio mais recente vai sempre estar aqui embaixo e também no Anchor, escuta lá.

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