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Sobre Guerras Secretas, incursões e as próximas fases da Marvel Studios

Um exercício de futurologia com base na San Diego Comic-Con sobre o que pode e o que deve acontecer nos próximos capítulos da Marvel Studios nos cinemas, agora que a fase 4 tá chegando ao fim. Vai ter Guerras Secretas sim!

Por THIAGO CARDIM

E aí que a Marvel Studios foi lá e, mais uma vez, tomou conta da San Diego Comic-Con como se o evento fosse seu, agora de volta ao formato presencial, e fez um painel repleto de novidades pra quem tava reclamando tanto sobre os rumos da fase 4. “Ah, eles não têm um plano, não sabem pra onde estão indo, não sabemos como as coisas se conectam entre elas…”. Pois ao que tudo indica, Kevin Feige, o chefão da casa, popularmente conhecido como Zé do Boné, ouviu o clamor popular e chegou disposto a esfregar algumas respostas sobre o MCU na cara da galera.

Tá bom, assim, cá entre nós, a gente aqui no Gibizilla gostaria de reforçar MAIS UMA VEZ que, sim, a Marvel deixou os seus espectadores mal-acostumados com esta coisa toda de “tudo está conectado” e “universo expandido” – e agora toda hora tem que ter o grande vilão interligando tudo, as cenas pós-créditos e easter eggs sempre referenciando outros personagens… Um saco que não permite que um filme tenha vida própria e faz com que seja sempre parte de uma enorme engrenagem. MAS ENFIM. Se você achou que a chamada fase 4 foi muito “morna” e não estava conectada com isso tudo, ledo engano.

A nova saga tem nome, sabia?

A fase 4 do MCU chega ao fim oficialmente no dia 10 de novembro deste ano, com a chegada de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre aos cinemas e seu conflito com a nação submarina do Príncipe Namor. E se as fases 1, 2 e 3, que se encerraram oficialmente com Vingadores – Ultimato, foram oficialmente batizadas de maneira coletiva como A Saga do Infinito, as fases 4, 5 e 6 se chamam A Saga do Multiverso. E se a fase 4, com determinados filmes e séries, serviu pra apresentar não apenas o conceito de realidades paralelas mas também dar um vislumbre do conquistador temporal chamado Kang (Jonathan Majors), a fase seguinte promete se aprofundar BEM nisso aí.

A fase 5 começa ano que vem, dia 16 de fevereiro de 2023, com a estreia de Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania – filme que, além de trazer de volta o Kang que vimos na série do Loki (ou melhor, tudo indica que é uma OUTRA versão do Kang, como acontece nos gibis e como deve ser usual nas telas a partir de agora), promete trazer mais e mais informações a respeito do grande conflito que se desenha. O filme que vai ENCERRAR a fase 5 é o dos Thunderbolts, que foi confirmado e chega aos cinemas no dia 26 de julho de 2024 – pra quem não faz ideia do que se trata, pelo menos nos quadrinhos é uma equipe de vilões que se fazem passar por heróis. Há quem arrisque dizer que Agente Americano, Abominável, Hércules e a nova Viúva Negra, todos já apresentados nas séries e filmes recentes, devem formar este time, liderado pela Valentina Allegra de Fontaine vivida por Julia Louis-Dreyfus. A saber.

Já a fase 6 começa também em 2024, mas lá pra novembro, no dia 8, que é quando estreia a versão MCU do Quarteto Fantástico. Nada de diretor ou elenco confirmados ainda, antes que você pergunte. Maaaaaaaaaaaaaaas… e aí é que algumas peças começam a se encaixar, a fase 6 se encerra, assim como a Saga do Multiverso, com DOIS filmes dos Vingadores em 2025. Sim, sim, dois no mesmo ano. Serão Avengers: The Kang Dynasty (2 de maio de 2025) e Avengers: Secret Wars (7 de nov de 2025). E é aí que a gente já começa a especular BASTANTE.

Guerras Secretas da Marvel
Guerras Secretas da Marvel


Antes de tudo, vamos falar de INCURSÕES

Os leitores mais velhos OBVIAMENTE vão se lembrar do nome Secret Wars, na tradução brasileira de Guerras Secretas, graças ao crossover de 1984, que reuniu uma cacetada de heróis e vilões no chamado Mundo Bélico para quebra-paus homéricos apenas para atender aos caprichos de um alienígena chamado Beyonder – mas a ideia por trás dos panos era, isso sim, reunir os grandes medalhões da editora para vender toneladas de gibis e uma coleção inteiramente nova de bonequinhos.

No entanto, tudo leva a crer que as Guerras Secretas que vão inspirar o filme são, isso sim, a versão de 2015, uma loucura costurada pelo meticuloso roteirista Jonathan Hickman. E pra falar DESTAS Guerras Secretas, é importante dar um pulo lá no segundo filme do Doutor Estranho. Para entender um conceito que passou até meio batido na cena pós-créditos quando aparece Charlize Theron como Clea, abrindo um portal e dizendo que precisa da ajuda de Stephen para impedir uma INCURSÃO. Guarde esta palavra.

Um problema no contínuo espaço-tempo, com foco na Terra, dá início a uma espécie de “efeito cascata”, fazendo com que as diversas Terras de universos paralelos planeta (com versões diferentes dos heróis e vilões que conhecemos) se aproximem umas das outras. Estas são as incursões. Isso não seria de fato um grande problema – mas o lance é que elas tentam ocupar o mesmo espaço e, sabemos bem, dois corpos não ocupam mesmo lugar no espaço (pelo menos desta lição você deve lembrar das aulas de física). A incursão tem um tempo determinado para se completar. E se o processo for finalizado, os dois universos vão se destruir. Ou seja, tem muito de multiverso aí também.

Logo, os chamados Illuminati, a ordem formada pelos mais poderosos, inteligentes e influentes heróis da Terra, entra em ação. Eles foram apresentados TAMBÉM no mais recente filme do Doutor Estranho (embora numa versão de outra realidade), o que já ajuda ainda mais na conexão.

No caso dos gibis, estamos falando de um grupo secreto, que age nas sombras da comunidade dos heróis, formado por homens brilhantes como Namor, Homem de Ferro, Doutor Estranho, Reed Richards, Pantera Negra, Raio Negro e o Fera (que, naquele momento, estava representando o falecido Charles Xavier). Eles descobrem o que está pegando e também percebem que só existe uma forma de salvar nosso planetinha azul. Simplesmente destruindo o outro planetinha azul. Sim. Para salvar o nosso universo e o universo alheio, pelo menos um planeta deve morrer. E que seja o dos outros, certo? Com base neste dilema ético – “para poupar as nossas bilhões de vidas, vamos exterminar os bilhões de vidas do outro lado?” – estas mentes criam uma espécie de bomba de antimatéria que pode varrer as outras Terras do mapa.

Este movimento passou a envolver diferentes raças ancestrais do universo, tentando organizar a bagunça cósmica causada pelos heróis da Terra… E foi aí que a Marvel encontrou, da mesma forma que a DC muitas décadas antes, uma saída pra simplificar a sua cronologia de tantas realidades paralelas e versões múltiplas de seus personagens. E foi aí que surgiram as Guerras Secretas.

Afinal, qual é o Destino da Marvel nos cinemas?

Se nos cinemas o Kang está intrinsecamente ligado à questão do multiverso e, bom, o filme que vem ANTES de Guerras Secretas se chama Dinastia Kang, meio que já dá pra esperar que ele esteja envolvido com a questão das incursões – cujas repercussões devem ser apresentadas de maneira mais simples do que a intrincada rede que Hickman costurou nos gibis – e com a criação de um NOVO Mundo Bélico, que reúne versões de diferentes personagens vindos de universos alternativos e realidades paralelas da Casa das Ideias, uma porrada de Homens de Ferro, Thors, galera do Ultimate, 2099, 1602, essas paradas.

Mas a fase 6 do MCU abre justamente com o filme do Quarteto Fantástico. E seu maior antagonista, que também deve ganhar uma nova versão nas telonas em breve, está ligado até os ossos com as Guerras Secretas – tamos falando do Doutor Destino.

Tentando resumir BEM o que rolou nas HQs, a razão pra esta coisa toda das incursões acontecer é que, em um determinado universo, nasceu uma pessoa tão poderosa que começou a causar esta reação em cadeia. Um tal Rabum Alal, o Grande Destruidor, diversas vezes mencionado como sendo o senhor da moça batizada de Cisne Negro – egressa de um dos planetas que esteve na rota de incursões com a Terra e que acabou capturada pelos Illuminati. Em New Avengers #31, finalmente descobrimos quem é Rabum Alal. Quando a ordem dos Cisnes Negros leva o Doutor Estranho diante de seu líder, é Victor Von Doom que Strange encontra diante de si.

Guerras Secretas da Marvel
Guerras Secretas da Marvel

A escolha faz total sentido. Durante uma dessas incursões de um planeta no outro, a Latvéria, seu reino no Leste Europeu, foi atacado pelos Cartógrafos, uma raça de seres adaptáveis que buscam captar os recursos naturais de um planeta antes de destruí-lo. Depois de derrotar as criaturas, Victor fica com um de seus artefatos para análise. Logo depois, Namor resolve abandonar os Illuminati (em meio a uma crise ética) e toma uma medida drástica ao recrutar um time de supervilões, batizados de Cabala, para acabar com quaisquer mundos alternativos que ameacem se aproximar da Terra. “Doom não é a segunda escolha de ninguém”, recusa, com seu jeito costumeiro, o ditador latveriano. Mas agora ele tem mais informações em mãos sobre as incursões. Eis que em New Avengers #29, ele parte pra uma jornada pelo multiverso ao lado do Homem-Molecular. Claramente é o resultado desta viagem que vai transformá-lo em Rabum Alal.

De longe o meu vilão favorito da Marvel e um dos meus prediletos em quaisquer aspectos da cultura pop (empata com Darth Vader na boa), Destino é uma espécie de Rei do Crime em escala global, com uma mente científica brilhante, que rivaliza com Reed Richards; é também um mago poderoso cujos poderes estão pau a pau com os do Doutor Estranho; e ainda desfruta de imunidade diplomática por ser o governante de uma rica e próspera nação europeia, no papel de uma manipulador líder da comunidade internacional que se posiciona contra os EUA. Junte a isso o ego monstruoso e a mania de falar em terceira pessoa (que grande vilão nunca?) e, BINGO!, está aí um sujeito a ser temido.

Além disso, a relação de Destino com a primeira versão das Guerras Secretas é muito íntima e particular. Enquanto heróis e vilões tramavam como diabos iam derrotar uns aos outros para sair do Mundo Bélico, o Doutor Destino cria um plano mirabolante para roubar os poderes da criatura cósmica que levou todo mundo pra lá, o Beyonder. E, cacete, ele consegue. E, diabos, ele derrota todos os heróis sozinho, de uma vez só. E, inferno, ele acaba sendo derrotado por sua própria vaidade e seu ego tamanho família.

Mas na segunda versão das Guerras Secretas, Destino TAMBÉM consegue o poder dos Beyonders – sim, no plural, uma raça diretamente envolvida com aquela que seria a ÚLTIMA das incursões, entre a Terra 616 (aquela na qual está a cronologia corrente da Marvel) e a Terra 1610 (aquela batizada de “Universo Ultimate”, onde surgiu originalmente o Miles Morales). No meio do conflito, Von Doom se torna uma criatura divina e no controle de um universo único, que reúne características das mais famosas realidades paralelas da Marvel.

Pode ser que tudo gire apenas em torno de Kang, pra facilitar? Claro que sim. Mas digamos que o JEITO que os lançamentos estão dispostos acaba criando não apenas a oportunidade perfeita para reunir ainda mais heróis em tela ao mesmo tempo do que aconteceu em Ultimato, mas também para introduzir o Doutor Destino de maneira grandiosa e megalomaníaca, como bem cabe ao personagem, no MCU.

Além disso, e aí é que vale discutir o quanto a Marvel Studios vai fazer uso deste expediente, Guerra Secretas serviu nas HQs pra editora fazer uma “limpa” nos seus quadrinhos, recomeçando títulos, tirando personagens de circulação e fazendo realidades inteiras simplesmente desaparecerem do mapa.

Menino Kevin Feige pode até estar preparando um reboot pra fase 7, vejam vocês… Com direito até ao retorno de Tony Stark, Natasha Romanoff e Steve Rogers, só que interpretados por outros atores… PURA ESPECULAÇÃO, admito.

Vejamos o que o futuro nos reserva.


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