Kamen Rider ZEZTZ: novo herói que invade sonhos… e realiza um
Nova série da franquia se torna global e estreia, de maneira oficial, simultaneamente em uma série de países, incluindo o Brasil
Por THIAGO CARDIM
A lendária franquia Kamen Rider, ícone do tokusatsu criado por Shotaro Ishinomori em 1971, sempre destacou heróis solitários em motocicletas enfrentando organizações malignas com estilo, drama e metáforas sociais. Diferente dos Super Sentai em equipes coloridas ou dos Metal Heroes com armaduras reluzentes, Kamen Rider foca na figura do indivíduo como símbolo de resistência — da era Showa ao Reiwa, a série jamais perdeu esse DNA clássico da cultura japonesa.
É justamente com esse espírito que chega Kamen Rider ZEZTZ (仮面ライダーゼッツ, Kamen Raidā Zettsu ), a nova série da franquia que chega pra substituir Kamen Rider Gavv eestreou agora no começo de setembro de 2025 — com um marco histórico: é a primeira Kamen Rider com exibição simultânea e oficial no Brasil e em diversos outros países do mundo.
E pensar que toda uma geração de trintões e quarentões que passaram a infância curtindo o Black Kamen Rider na extinta e saudosa Rede Manchete (como eu, por exemplo) nem poderia imaginar algo como isso acontecendo um dia…
Sonhos que se transformam em missão
A trama da nova série acompanha Baku Yorozu (interpretado por Ryutaro Imai, em sua estreia como protagonista de tokusatsu), um jovem aparentemente comum, um fracassado e desempregado que não sabe bem qual vai ser o seu futuro, mas que costuma sonhar acordado. Sonhar com uma vida mais empolgante, na qual é um agente secreto que vai resgatar a jovem Nemu – que, no caso, é uma das jovens celebridades mais conhecidas do Japão.
Obviamente que a vida de Baku muda radicalmente quando, ao dormir, ele se vê empregado pela misteriosa organização CODE, com a capacidade de se tornar o agente superpoderoso Kamen Rider ZEZTZ. A missão do mais novo exemplar de guerreiro insetóide é simples: entrar nos sonhos das pessoas e impedir que as criaturas chamadas Nightmares continuem ameaçando invadir a nossa realidade.
O visual do herói é uma homenagem retrô, com paleta de verde, preto e vermelho, remetendo diretamente ao Kamen Rider original, enquanto adiciona detalhes modernos – numa pegada neon que lembra até um pouco de Tron – e o inovador cinto de transformação posicionado no peito — um design nunca visto na franquia e que, não, não parece uma pochete de tiozão indo pra praia nos anos 1990, antes que alguém diga.

Elenco e equipe criativa
A produção liderada pela Toei Company celebra seus 40 anos com ZEZTZ, o 7º da Era Reiwa. O roteiro fica a cargo de Yūya Takahashi, veterano dos clássicos Kamen Rider Ex-Aid, Zero-One e Geats.
Além de Ryutaro Imai, o elenco traz Maho Horiguchi (como Nemu), Miki Yagi (Minami Yorozu, irmã do personagem principal e quem de fato paga as contas em casa), Kenta Mishima (o detetive Tetsuya Fujimi, da divisão de casos “sobrenaturais” da polícia de Tóquio), Rina Onuki (Nasuka Nagumo, uma agente recém-designada a esta divisão) e Yuki Furukawa (como o misterioso Nox, aparentemente um antagonista ligado ao universo dos pesadelos).
Nós já vimos o primeiro episódio e…
…olha, tudo parece BEM divertido. Sim, sim, o adjetivo é bem este mesmo. Se você ficou parado, em termos de franquia Kamen Rider, na icônica transmissão de Black/Black RX, talvez vá se surpreender E MUITO com o tom, muito mais bem-humorado, leve e descontraído do que algo na pegada sombria e sobrenatural, quase filme de terror, como costumavam ser as aventuras de Issamu Minami.
Além disso, a trama mistura algo de ficção científica surreal – com o novo Kamen Rider aprendendo a lidar com os cenários pouco realistas e em contante mutação do universo onírico, numa pegada Inception/A Origem – e também um quê de investigação policial, com a dupla Fujimi e Nagumo colocando os pés do espectador na vida real ao criar uma dinâmica quase Mulder e Scully, de Arquivo X. Ele acredita, ela já incorpora a investigadora bastante cética.
Outra coisa que deve chamar bastante a atenção de quem andou afastado do atual cenário dos tokusatsu nos últimos anos são as sequências de ação. Kamen Rider ZEZTZ opta por lutas ainda mais ágeis e dinâmicas, repletas de efeitos especiais que fariam a turma das séries do CW se morder de inveja e deixando aqueles dias de efeitos especiais datados BEM no passado.
Exibição global e inédita no Brasil
Pela primeira vez, uma série Kamen Rider será transmitida em simulcast global, incluindo o Brasil. A Sato Company, via canal TokuSato no YouTube, exibirá os episódios legendados em português brasileiro e espanhol.
A estreia mundial ocorreu em 6 de setembro, com episódios semanais gratuitos sempre aos sábados, às 23h30 — os cinco primeiros estarão disponíveis para todos e, a partir do sexto, ficarão restritos ao Clube de Membros do canal (com planos a partir de R$ 7,99/mês).
De qualquer maneira, o simulcast representa uma vitória histórica para os fãs brasileiros de tokusatsu. É o primeiro caso de uma série Kamen Rider sendo lançada no mesmo momento que no Japão, consolidando uma era de maior proximidade entre produção japonesa e audiência global.
Dublagem brasileira — o que se sabe até agora
Bom, está confirmado que haverá versão dublada, além da legendada. Obviamente que não haveria tempo hábil para dublar os primeiros episódios, mas talvez, futuramente, a série esteja disponível com dublagem também de forma simultânea.
Embora ainda não se saiba mais detalhes sobre o elenco, o que foi divulgado é que o trabalho será realizado pelo estúdio Clone, empresa paulista responsável pelas vozes de programas de canais como Discovery Channel, Animal Planet e People and Arts. Guilherme Marques (o Erwin Smith de Attack on Titan) será o diretor de dublagem, trabalhando ao lado de Ricardo Campos (sobrinho do icônico dublador Marcelo Campos).
Por que Kamen Rider ZEZTZ é diferente — e relevante para o Brasil?
– Temática refrescante: explorar sonhos e pesadelos dá à série uma atmosfera onírica menos frequente nas franquias Kamen Rider.
– Simulcast oficial: inédita para o Brasil, essa estratégia aproxima os fãs e profissionaliza o acesso ao tokusatsu nacionalmente.
– Abertura para dublagem local: fortalece o fandom e cria espaço para atores, tradutores e diretores brasileiros contribuírem com qualidade.
– Wakening global: representa um ponto de virada na internacionalização da franquia — fãs do mundo todo estão – e estarão – acompanhando juntos.