Seven Spires: a sinfonia sombria que conquista o mundo metal
A banda liderada pela polivalente Adrienne Cowan, conhecida pelo trabalho ao vivo com o Avantasia, é mais do que uma nova aposta – já é uma baita realidade
Por THIAGO CARDIM
Para além, é claro, do próprio Tobias Sammet, existe um integrante da atual família Avantasia que foi ganhando destaque absoluto a cada ano, com o passar de cada show, tomando espaço no palco e no coração dos fãs – e teve, no atual disco Here Be Dragons, enfim o seu momento de brilhar em um dueto com o mestre de cerimônias. Estamos falando, obviamente, da cantora e musicista americana Adrienne Cowan, 30 anos.
Em 2025, finalmente tive a chance de vê-la ao vivo duas vezes. A primeira, claro, com o Avantasia, ali na edição 2025 do Bangers Open Air, quando ela mostrou a sua versatilidade vocal, aquela que fez Tobias apelidá-la de “canivete suíço vocal”. Da voz mais limpa e angelical até aquela mais rasgada, cheia de drive; da cantoria mais melódica até o gutural mais nervoso e brutal; ela se sente completamente à vontade em qualquer pegada. Meses depois, lá estava ela como convidada especial da dobradinha Roy Khan/Edu Falaschi, mostrando ainda mais não apenas a sua potência como cantora, mas também uma carismática teatralidade enquanto performer, meio que roubando a cena sempre que subia ao palco.
Só que Adrienne Cowan existe para além do Avantasia e demais participações especiais, porque ela TAMBÉM tem uma banda na qual mostra seu lado criativo como compositora. Estamos falando do Seven Spires – cujo disco mais recente, aliás, está na lista de “melhores de 2024” aqui do próprio Gibizilla.
Porque, quando uma banda consegue equilibrar técnica instrumental, narrativa conceitual e presença emocional sem perder a força pesada, ela merece atenção global. E o Seven Spires vem se firmando como uma das promessas mais sólidas da cena. Este ano, com uma apresentação no Wacken Open Air que repercutiu fortemente, os Sete Pináculos reafirmaram seu espaço no panteão do metal contemporâneo, com justiça ao lado de nomes como Spiritbox, Bad Omens, Sleep Token e por aí vai. Por isso mesmo, a gente diz: eles merecem DEMAIS a sua atenção.
Quem são os Seven Spires?
O projeto do Seven Spires começou oficialmente quando Adrienne, em 2013, já com uma visão teatral e sombria com relação à música, buscou formar uma estrutura que sustentasse seu universo musical. No ambiente criativo da Berklee College of Music, em Boston (EUA), ela conheceu o guitarrista Jack Kosto. Então, ambos uniram visões musicais e começaram a construir o universo conceitual que se tornaria a base da banda.
O primeiro lançamento oficial foi o EP The Cabaret of Dreams, em 2014, que já traçava o tom conceitual da banda. Depois, com a adição de Peter de Reyna no baixo e Chris Dovas na bateria, o grupo lançou seu primeiro álbum completo, Solveig, de forma independente (2017).
Vale contar que Solveig acompanha a jornada de uma alma perdida que chega a um estado de limbo chamado Cabaré dos Sonhos, uma espécie de submundo neovitoriano sem sol, governado por um demônio antigo e imortal. O demônio é conhecido por oferecer uma oferta a cada recém-chegado: a felicidade eterna no Cabaré dos Sonhos em troca de sua alma.
Grande parte do trabalho do Seven Spires se desenvolve conceitualmente a partir daí.

“O universo Spires está conosco desde a nossa criação em 2013, então sempre tivemos a vibe e os personagens específicos”, explica Adrienne. “Cada personagem, local, etc., tem seu próprio conjunto de características/frases musicais e melodias, e cada álbum tem seu próprio conjunto de painéis de inspiração para personagens e locais. Os motivos visuais e melódicos realmente ajudam a definir o cenário para uma música na minha mente”.
Enfim, de lá pra cá, a banda já dividiu palco com nomes como DragonForce, Twilight Force, Silver Bullet, Eluveitie e também fez turnê no Japão como headliner essencial. Eles também participaram de festivais como 70,000 Tons of Metal, Metaldays, Mad With Power Fest (com um show esgotado de quase duas horas) e o tradicional Prog Power USA.
Sobre este último, cabe uma história bastante interessante: o ano era 2017 e parte da banda estava lá, assistindo, apenas como fãs. Mas, durante o primeiro dia de apresentações, eles receberam a notícia dos promotores de que houve um cancelamento de última hora e que, como metade do Seven Spires já estava lá, eles seriam uma ótima opção de emergência. “O problema era que tínhamos apenas algumas horas para decidir e fazer todos os arranjos necessários para uma apresentação que aconteceria em 48 horas”, contam eles, no site.
Depois de muitos telefonemas frenéticos, planejamento logístico e muita arrumação, o restante da banda e seus instrumentos estavam a caminho de Atlanta, enquanto aqueles que já estavam no local tiveram que procurar instrumentos e equipamentos para usar, já que ninguém imaginava que eles se apresentariam naquele fim de semana. “O show foi fantástico, e imediatamente sentimos um vínculo muito especial com o público do PPUSA, que nos recebeu de braços abertos, apesar da mudança de última hora na programação”.
O som de Seven Spires é marcado por uma fusão de metal sinfônico, power metal, death melódico e até elementos de black metal, com ênfase em arranjos orquestrais, melodias dramáticas, e storytelling conceitual. O mais interessante de se ouvir aqui é que eles não se limitam a fórmulas; incorporam influências que vão do jazz ao romantismo orquestral, dando ao som um caráter tanto técnico quanto emocionalmente carregado.
A formação atual conta com Jack Kosto (guitarra), Adrienne Cowan (vocais e teclados), Peter de Reyna (baixo) e Dylan Gowan (bateria, a partir de 2024).
Seu lançamento mais recente, já como parte integrante do cast da gravadora italiana Frontiers Records, é A Fortress Called Home (2024), que aprofunda ainda mais o universo narrativo da banda. Nas entrevistas, Adrienne comenta inclusive que seu processo de composição amadureceu: no novo álbum, há menos linearidade (ou “Ato I para Ato Z”) e mais exploração interna – mergulhando em temas sombrios da própria psique humana.
O que de fato surpreende? É ver mais uma banda americana, para além do Kamelot, soando ao mesmo tempo moderna, dinâmica e relevante e ao mesmo tempo conversando bem mais com o tipo de metal “europeu” do que o tradicional metalcore egresso do thrash que se ouve hoje nos EUA.

Discografia: álbum por álbum
Solveig (2017) — álbum de estreia, produzido de modo independente, já introduz o conceito de alma humana e conflito interior no universo criado pela banda.
Emerald Seas (2020) — segundo disco, mais ambicioso: melódico, orquestral, com arranjos mais complexos, consolidando a sonoridade da banda.
Gods of Debauchery (2021) — terceiro álbum, que mistura elementos mais pesados, contrastes dramáticos e letras intensas; reforçou a reputação da banda como inovadora no estilo.
A Fortress Called Home (2024) — o mais recente trabalho, que mergulha ainda mais na narrativa emocional, explorando tanto densidade sonora quanto arranjos introspectivos.
O que a crítica especializada diz (e eu concordo)
Setores da imprensa especializada já apontam a Seven Spires como uma das locomotivas emergentes do metal moderno. Em publicações recentes, Adrienne é elogiada pela versatilidade vocal e também pela capacidade de combinar emoção e técnica. Em resenhas de discos, jornalistas dizem que a banda é “técnica, emocional e narrativamente ousada”, e que tem capacidade de romper com nichos por sua diversidade estilística.
“Uma nova força excepcionalmente exuberante e inventiva nos mundos cada vez mais intercambiáveis do power, do metal sinfônico e do metal tradicional”, diz Dom Lawson, do site blabbermouth.com.
No dia 2 de agosto de 2025, o Seven Spires subiu ao palco do icônico Wacken Open Air e entregou um setlist que misturou clássicos e faixas recentes, reforçando seu apelo internacional. O repertório incluiu músicas como Wanderer’s Prayer, Gods of Debauchery, Almosttown, Love’s Souvenir, Oceans of Time, entre outras.
Quem esteve lá, é unânime: a apresentação do Seven Spires nesse que é o maior e mais influente festival de heavy metal do planeta fortaleceu a imagem de que a banda já está apta a se posicionar entre as grandes quando o assunto é metal contemporâneo.
Falando de Adrienne Cowan…
Ela é muito mais que vocalista: é compositora, arranjadora orquestral e personalidade central no universo criativo da banda. Segundo seu site oficial, ela se mudou várias vezes na infância, mas logo encontrou seu “lar” na música: começou a tocar piano quando era pequena, participou de corais, produções teatrais, estudou performance vocal e composição.
“A escola de música me deu as ferramentas para expressar o que eu não sabia como expressar e me ajudou a explorar o que eu tinha naturalmente. Quer dizer, eu já era uma cantora estridente e compunha algumas músicas básicas, mas a escola de música me ensinou complexidades mais refinadas e como quebrar regras com arte para expressar melhor as emoções”, conta ela, em entrevista ao site Fem Metal. “Mais importante ainda, a Berklee me expôs a uma rede de músicos excelentes e com ideias semelhantes. Eu talvez não tivesse conhecido meus atuais parceiros criativos se não tivesse frequentado a escola!”.
E quer o mais legal? Adrienne é da nossa galera! “Sou meio nerd e adoro fantasia, videogames, coisas sombrias, Piratas, filmes do Ghibli, Castlevania, Labirinto, e acho que tudo isso se misturou”.
Além do Seven Spires, Adrienne é integrante do time de turnê do Avantasia e faz parte também do projeto Masters of Ceremony, dirigido por Sascha Paeth (guitarrista e produtor do Avantasia) – e que, vamos confessar, também é legal demais.
Resumindo…
Não precisa acreditar apenas em mim, não, quando digo que o Seven Spires é uma das minhas atuais bandas favoritas. Escuta, por exemplo, o que o Moita, do Heavy Talk, ou o Bruno, do Porque! Metal, têm a dizer a respeito da cantora e de sua banda. Vai por mim. Vai pela gente. Seven Spires merece demais.
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Por falar nisso… BANGERS OPEN AIR!
Pois em breve você vai poder conferir todo o poderio do Seven Spires ao vivo, aqui no Brasil, porque a banda está confirmada na edição 2026 do Bangers Open Air. O festival acontece, como já virou tradição, lá no Memorial da América Latina, em São Paulo – nos dias 25 e 26 de abril. Você confere a programação completa e um monte de curiosidades lá no Instagram.
Os ingressos estão à venda no Clube do Ingresso.
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::: Leia tudo que a gente AINDA VAI publicar sobre o Bangers Open Air
::: Leia tudo que a gente publicou sobre as primeiras edições do Summer Breeze
::: Complete aqui a sua coleção de heavy metal, meu camarada!
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Bruno
Texto sensacional!
fiquei surpreso e muito feliz pela menção!