E que tal uma HQ épica de fantasia e terror na Amazônia pré-colonial?
Conversamos com os autores de “A Ajuri dos que não Morrem”, sobre um mal sem nome que despertou no coração da mata e ameaçou toda a vida
Por THIAGO CARDIM
Claro que você sabe que Manaus é o nome de uma importante cidade aqui no Brasil, capital do estado do Amazonas. Mas… você sabe quem são os manaos? Ou melhor ainda, quem FORAM os manaos? Sim, sim, com essa grafia mesmo. Estamos falando de uma nação indígena que habitava a região do Rio Negro, no Amazonas, e cujo nome significa “Mãe dos Deuses”. A tribo, lembrada principalmente pela resistência à colonização portuguesa, obviamente deu origem ao nome de Manaus, consolidada após o período colonial.
Os manaos são justamente as estrelas de “A Ajuri dos que Não Morrem”, épico em quadrinhos de fantasia e terror, ambientado em uma Amazônia pré-colonial e viabilizado pelo edital PNAB da Concultura de Manaus. O gibi, lançado oficialmente durante a Semana do Quadrinho Nacional de Manaus 2026, é uma produção do C-4 Studio, criado em fevereiro de 2018 para reunir artistas do norte do país interessados na produção de quadrinhos autorais.

“Como o povo Manao não existe mais, é uma forma de divulgar a nossa cultura e valorização do nosso povo originário daqui, já que não tem um material tão vasto como de outros povos originários fora da região”, explica Jucylande Júnior, animador 2D e ilustrador amazonense com sólida carreira nacional e internacional, além de responsável pela arte do gibi, em entrevista exclusiva pro Gibizilla.
Já o roteirista Emersom Medina, jornalista com pós-graduação em Artes Visuais e realizador audiovisual, reforça que a ideia era mostrar uma aventura ambientada na Amazônia com o tema de terror, onde o perigo fosse enfrentado por guerreiros indígenas.
“Essa dinâmica entre os heróis foi inspirada em outras narrativas como O Senhor dos Anéis e Os Sete Samurais, então temos o sábio, o guerreiro orgulhoso/arrogante, o que é camarada com todos, o jovem inexperiente…”.
E a história?
Séculos antes da colonização europeia, a Amazônia brasileira era um lugar místico e fantástico que abrigava grandes segredos. Então, um mal sem nome despertou no coração da mata e ameaçou toda a vida. Atendendo a um chamado espiritual, um pajé manao alertou sobre esse perigo de incontáveis pernas, que avançava implacável, devorando tudo pela frente.
Diante disso, sete bravos guerreiros se uniram e formaram uma última linha de defesa para deter esse inimigo que desafiava as leis da natureza e poderia causar a extinção de todos os povos.
“Criei o visual de povos desconhecidos que tinha na pesquisa do Ajuricaba”, explica Jucylande, em referência ao gibi de mesmo nome publicado pelo Black Eye Estúdio em 2022, ilustrado por ele a partir de roteiro de Ademar Vieira. Nesta outra obra, o protagonista é justamente o mais notável líder dos manaos, jovem corajoso e inteligente que foi capaz de reunir mais de 30 povos contra as investidas da Coroa Portuguesa.
Ele conta que acabou fazendo uma mescla para criar os designs dos personagens, já que são todos povos já extintos. “Citei algumas antigas lendas de povos originários, que vieram do Reino de Mu (N. do E.: continente perdido lendário, supostamente localizado no Oceano Pacífico, que teria afundado após um cataclismo, tipo a Atlântida), lenda de Akakor (N. do E.: suposta cidade perdida na Floresta Amazônica, descrita como um complexo subterrâneo na fronteira entre o Brasil e o Peru), incas e especificamente o povo Manao, usando a linguagem já morta de algumas palavras que adquirimos na época que fiz o Ajuricaba”.
E completa: “muita fantasia, ficção e terror para criar o background de tudo”.
No fim, “A Ajuri dos que Não Morrem” ganhou um outro nome de peso na edição, que ficou a cargo de Leandro Luigi Del Manto – nome mais do que conhecido no cenário brasileiro de HQs por ter sido responsável por obras emblemáticas como Sandman, Akira, Batman: O Cavaleiro das Trevas, A Espada Selvagem de Conan, A Liga Extraordinária e Sin City, entre MUITAS outras.
Pra completar, os autores revelam que a HQ não se encerra aqui: na verdade, a história se espalha ao longo de três volumes, ainda sem data de lançamento prevista. Este é apenas o primeiro. “Tenho ideias, fora esses três volumes, de eu e o Emerson fazermos futuras histórias com alguns desses personagens, principalmente os manaos. Mas acredito que ainda é muito cedo”.
Se você se interessou, sugiro seguir a turma do C-4 no Instagram – e caso queira adquirir o gibi, fique de olho aqui na loja online dos caras.
