Kaiju abre as portas para o CRIME na coletânea Pecados
Editora dos chapas 013 vai iniciar a campanha deste novo lançamento no Catarse a partir do dia 1º de setembro
Por THIAGO CARDIM
Além da antologia recorrente Raios & Gritos, que apresenta sempre novos títulos e criadores que, em algum momento, podem se tornar publicações independentes dentro da própria editora, os amigos da Kaiju também estão tornando uma tradição o formato de coletâneas temáticas.
Ao definir um tópico central, eles então convidam roteiristas e desenhistas para soltarem a criatividade em histórias curtas. Depois de girar ao redor dos muitos tipos de terror com Agonia (sobre a qual falei brevemente aqui, aliás), agora a ideia é dar espaço para o CRIME.
Estamos falando de Pecados, que terá nove histórias em preto & branco, com 16 autores brasileiros – e a capa, já revelada, com arte de Andrade Ferreira, que já é prata da casa. A campanha para financiamento coletivo no Catarse começa OFICIALMENTE a partir do próximo dia 1º de setembro, também conhecido como “próxima terça-feira”.
“A minha ideia inicial era fazer uma antologia mais voltada para histórias de detetive, acho que esse gênero anda meio negligenciado por aqui, mas limitar em histórias de detetive ia acabar levando os autores a se repetirem mais no sentido que teríamos muitas histórias do ponto de vista do detetive”, explica, em entrevista pro Gibizilla, o editor Mauro de Abreu. “Quando abrimos para todo tipo de crime, o leque ficou enorme, o que nos permitiu liberar mais a criatividade dos autores”.
O também editor – e colaborador aqui do site, só pra lembrar – Silas Chosen completa dizendo que este foco faz com que um monte de subgêneros de histórias possam se encaixar, como noir, thriller policial, histórias de serial killer,heist, whoddunit, histórias sobre roubo, etc. “Acho que nossa única preocupação é com o conjunto – que tenhamos nove histórias que sejam variadas entre si, que tragam premissas diferentes. Mas nem sempre isso significa uma restrição tão grande de gênero. Uma das histórias tem elementos fantásticos, mesmo que o centro da história seja uma investigação policial”.
E ainda reforça: “Mesmo que tenham um subgênero semelhante, precisam ser histórias que levam o leitor a mundos diferentes”.
Uma coletânea por semestre
Mauro conta que, em Agonia, eles escolheram terror porque sentiram que havia uma demanda enorme pelo gênero – que, no mundo dos quadrinhos brasileiros, é um clássico absoluto desde os anos 60/70, é bom que se lembra. “A gente entrega para os autores e artistas o tema e praticamente mais nada. Os roteiristas pegam a linha que eles mais acham interessante, o estilo de narrativa e qual tipo de personagem explorar, e conversam com a gente sobre a premissa”, explica o Silas.

“O que a gente quer é que o gênero centralize as histórias. E o princípio de fazer uma coletânea é entregar o tema para os autores e ver eles levarem isso para o lugar que quiserem”.
As coletâneas devem ser sempre semestrais, com uma saindo no meio e outra no fim do ano. Depois de Pecados (“confesso que foi por insistência minha”, brinca Mauro), a intenção é ter uma com foco em Fantasia, com o nome ainda provisório de Taverna (e que terá, aliás, a primeira HQ escrita na vida por este seu simpático editor). Para selecionar os temas de cada coletânea, a dupla afirma que geralmente se parte do que mais a equipe tem vontade de fazer… e o que está no gosto do público. “Um cruzamento disso”, diz Silas.
Mauro ainda reforça que eles listam os gêneros mais famosos, como Sci-Fi, Fantasia, Aventura e afins, e vão intercalando com subgêneros ou temas que acreditam ter alguma sincronia com a audiência deles.
O que já está de maneira mais concreta no radar da Kaiju, até o momento? Depois de Fantasia, eles farão jus ao nome da editora e terão ENFIM uma reunião de histórias sobre monstros gigantes, os populares kaijus, seguida pela de Sci-Fi e provavelmente uma de Mitologia.
Mas existem, digamos, alguns desejos para os próximos anos. Mauro, por exemplo, adora Sci-Fi e acha que o gênero pode render várias antologias diferentes como retrofuturismo, cyberpunk, solarpunk, afrofuturismo e tantas outras. “Também adoraria fazer uma só de viagem no tempo”. Já o Silas acha que eles precisarão pensar em um foco de subgêneros interessantes. “Por exemplo, Histórias com Extraterrestres ou Histórias Espaciais”.
Enquanto isso, fique de olho em Pecados – que você pode ajudar a se tornar realidade via financiamento coletivo a partir do dia 1º de setembro.