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Gibis para celebrar os 80 anos do Arqueiro Verde

Enquanto você fica aí esperando Oliver Queen dar enfim as caras nas telonas depois de tanto tempo nas telinhas, a gente te dá umas dicas de grandes HQs do herói pra ler, em comemoração ao seu aniversário, incluindo o atual relançamento da DC Comics

Por THIAGO CARDIM

“É hora de tirar a poeira daquela flecha com ponta de luva de boxe, esquentar os motores do Flechamóvel e se juntar à DC na celebração das oito décadas de excelência esmeralda”. É assim que a editora faz o convite para que os leitores embarquem na onda de Green Arrow 80th Anniversary 100-Page Super Spectacular #1, edição a ser lançada no mês de junho e que promete reunir diversos criadores clássicos como Mike Grell, Jeff Lemire, Phil Hester, Otto Schmidt, Ben Percy, Tom Taylor e Devin Grayson para homenagear os 80 anos do personagem, além de outros integrantes clássicos de seu panteão como Ricardito, Canário Negro, Connor Hawke e por ai vai.

Criado pela dupla Mort Weisinger e George Papp, o milionário Oliver Jonas Queen surgiu originalmente no gibi More Fun Comics #73 , publicado em novembro de 1941 – e, lá nos primórdios, era somente uma cópia do Batman vestida de Robin Hood e com toda a sorte de cacarecos relacionados a arcos e flechas (que tinha, aliás, em variedade tão grande e divertida quanto os itens que o Morcegão carregava em seu cinto de utilidades) . Mas, com o passar dos anos, ele ganhou muito mais personalidade, tornando-se um vigilante absolutamente inquieto, questionador, contestador, uma representação clara da esquerda nos gibis, lutando abertamente pela justiça social e falando de maneira muito mais escancarada do que seus parceiros sobre política.

Justamente por isso, eu costumo dizer que ele é meu herói favorito da DC Comics. Pois então, isso mesmo, nada de Batman ou Superman. Eu sempre fui (e ainda sou) um fanático pelo homem do cavanhaque, mesmo com todas as suas imperfeições, com sua rabugice, cabeça-dura, com seu jeito mulherengo… E se você conhece pouco do personagem nos gibis, estando muito mais ligado em sua versão dos desenhos animados da Liga da Justiça Sem Limites ou talvez nas versões televisivas tanto das últimas temporadas de Smallville quanto na recente série solo do sujeito, Arrow, aqui seguem algumas sugestões de HQs do camarada pra vocês curtirem…

Grandes Clássicos DC – Lanterna Verde / Arqueiro Verde

Não tem como não começar por aqui, né? No início dos anos 1970, a dupla Dennis O’Neil (roteiro) e Neal Adams (arte) pegou a dupla de amigos Oliver Queen e Hal Jordan e revitalizou os camaradas, injetando uma dose de maturidade numa espécie de road movie, com os dois viajando para meio que redescobrir os EUA. De um lado, o Lanterna todo quadradão e certinho, representante de uma verdadeira polícia intergaláctica. Do outro, o Arqueiro porra louca e contestador. Direita e esquerda. Com discussões fodásticas sobre sexo, drogas, racismo, religião e política. Um verdadeiro clássico, responsável por dar ao Arqueiro Verde grande parte de sua atual personalidade nos gibis – e também por criar o elo de amizade praticamente indissolúvel entre Oliver e Hal Jordan, que permanece mesmo décadas depois.

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Os Caçadores

A minissérie em três edições escrita e desenhada por Mike Grell em 1987 foi um divisor de águas para o herói tão grande quanto a fase de O’Neil e Adams e é, sem sombra de dúvidas, a principal inspiração das duas primeiras temporadas de Arrow. A violência e o tráfico de drogas se tornam temas cotidianos de suas histórias, enquanto Oliver abandona Star City e vai morar em Seattle, terra natal de sua amada Canário Negro. Aos 43 anos, Oliver resolve deixar as flechas cheias de efeitos especiais e truques de lado para “retornar às suas origens”, relembrando os seus anos difíceis na ilha. Shado, a arqueira oriental que também já ESTEVE LÁ na série, aparece aqui, ao mesmo tempo em que Dinah é capturada pela máfia local, despertando um instinto assassino há muito desaparecido da alma de Oliver. A mini fez tanto sucesso que Grell foi convidado a escrever o primeiro gibi solo da história do Arqueiro Verde, cargo que ocupou durante longas 80 edições – falamos sobre isso logo abaixo…

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Lua de Caçador

Olha só, aí Grell aproveitou o sucesso de sua reinterpretação do Arqueiro e continuou a trabalhar o herói como um vigilante urbano. Ao invés de encarar supervilões coloridos e uniformizados, Oliver prefere tentar fazer a diferença no mundo real das vielas sombrias e degradadas de Seattle. Mas a realidade das ruas é foda, parceiro. E aí que o nosso herói se vê em um verdadeiro atoleiro moral, inseguro de como lidar com assassinos de crianças, traficantes de drogas… A questão é: o Arqueiro Verde consegue MESMO lidar com todos esses problemas?

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O Espírito da Flecha

No final dos anos 1990, a DC matou o Arqueiro Verde, numa tentativa de desarmar uma bomba que fazia referência ao seu destino na futurista Batman: O Cavaleiro das Trevas. Mas, no ano 2000, o cineasta Kevin Smith (que já tinha escrito a ótima Diabo da Guarda, do Demolidor) foi convocado para escrever o seu retorno do mundo dos mortos, no melhor estilo dos gibis de super-heróis. Neste arco em 10 edições, ele recebe a ajuda do amigo Hal Jordan, na época também morto e sob a identidade (e capuz) da entidade conhecida como Espectro. Mas estranhamente, Oliver volta da terra dos pés juntos com as memórias anteriores à fase Caçadores. E agora? Será que deu alguma treta, digamos, sobrenatural no meio do caminho? Sempre dá pra ficar pior, né?

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O Som da Violência

A continuação do trabalho de Kevin Smith à frente do título do Arqueiro, novamente com a linda arte de Phil Hester & Ande Parks. Aqui é que surge o maníaco Onomatopeia, serial killer que ameaça apenas heróis sem poderes e que, conforme o nome sugere, imita os sons das onomatopeias dos gibis. Enquanto Mia arrisca os primeiros passos como a nova Speedy (inspiração, obviamente, para a fase heroína de Thea Queen na TV) e Oliver volta a se aproximar romanticamente da Canário, o Onomatopeia surge e enfia uma bala no segundo Arqueiro Verde, Connor Hawke, o filho do Sr. Queen.

Publicado originalmente aqui no Brasil nas edições 7 e 8 do finado gibi do Arqueiro Verde da Panini, em 2003. Não tem em nenhum encadernado recente maaaaaaaaaaaaaas, se você curte ler os originais em inglês, dá pra comprar na Amazon e AINDA DAR UMA FORCINHA PRO GIBIZILLA. <3

A Busca

Antes de escrever a brilhante e brutal série Crise de Identidade, que mudaria drasticamente os rumos da DC Comics nos anos que se seguiriam, o escritor Brad Meltzer, que nunca tinha escrito um gibi na vida, teve uma estreia espinhosa ao assumir o gibi do Arqueiro Verde assim que Kevin Smith saiu. Mas ele teve as manhas de escrever um arco com tamanha sutileza e delicadeza que tornou esta história, de longe, uma das mais emocionantes e tristes do personagem. Não vou contar o final porque, sério, vai estragar E MUITO a experiência, mas a trama é uma espécie de jornada de Oliver Queen rumo ao passado, em busca de itens que tem muito valor sentimental pra ele, sendo que um destes itens guarda um segredo importantíssimo a respeito de sua relação com um de seus ENTES queridos.

Publicado originalmente aqui no Brasil na edição DC Especial número 1, em 2004. Não tem em nenhum encadernado recente maaaaaaaaaaaaaas, se você curte ler os originais em inglês, dá pra comprar na Amazon e AINDA DAR UMA FORCINHA PRO GIBIZILLA. <3

Arqueiro Verde: Ano Um

Outra inspiração clara para Arrow, em especial nos flashbacks da segunda e da quarta temporadas, apresentando personagens como China White e Taiana. É basicamente uma variação (muito bem estruturada, aliás) da história de origem que quem acompanhou a trajetória de Oliver Queen semanalmente na televisão já conhecia. O playboyzinho babaca que não se importa com ninguém parte numa viagem de navio, acaba numa ilha misteriosa, descobre que a vida é mais importante do que dinheiro e bebida, aprende a usar um arco e um punhado de flechas e faz uma promessa de ajudar aqueles que precisam… Fato divertido aqui: o sobrenome do melhor amigo de Oliver Queen na série de TV, John Diggle, veio do autor desta minissérie publicada em 2007 – no caso, Andy Diggle. 😉

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Álbum de Casamento

Antes de dar seu traço para a elogiada Paper Girls, Cliff Chiang trabalhou ao lado do roteirista Judd Winick em uma revista conjunta do Arqueiro com seu grande amor, a Canário Negro. E foi daí que surgiu, enfim, o casamento do casal. Uma história leve, divertida, cheia de luz e cor, repleta de participações especiais tanto de heróis quanto de vilões. Uma verdadeira celebração do amor deste casal tão cheio de idas e vindas ao longo de sua trajetória…

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Máquina Mortífera

O começo dos Novos 52 foi mesmo osso para o Arqueiro Verde. Nomes como Ann Nocenti estiveram à frente do título do personagem e tudo que conseguiram foi fazê-lo tornar-se uma cópia do Batman com arco e flecha (pecado cometido também no começo de Arrow, mas isso é assunto pra outra hora). Aí, no número 17, mudou tudo. Jeff Lemire (ele mesmo, da ótima Black Hammer) segurou a bronca dos roteiros, o italiano Andrea Sorrentino ficou responsável pelos desenhos e a decisão foi meio que ignorar tudo que rolou antes e começar praticamente do zero. Assim sendo, tivemos um segundo reboot para Oliver Queen, considerando que este deu certo MESMO. A dupla acerta lindamente ao contar a verdade sobre a ilha na qual o arqueiro aprendeu suas habilidades, além de apresentar personagens como Shado, Komodo, o Conde Vertigo e a versão HQ de John Diggle, trazida diretamente da TV.

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Pássaros da Noite

Por mais que a Panini tenha cancelado o gibi mensal do Arqueiro Verde, que vinha sendo publicado por aqui com regularidade desde 2013, a editora continuou soltando suas histórias no Brasil em pequenos encadernados. É o caso deste Pássaros da Noite, nova fase que reúne Green Arrow # 41-44 e mais Green Arrow Annual 1 para mostrar justamente o retorno de Oliver Queen para Seattle, com o objetivo de tomar conta de sua meia-irmã Emiko. É o começo do bom trabalho do roteirista Benjamin Percy.

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Renascimento

Mais reboot? Ah, sim, mais um. Mas e não é que este aqui funcionou também? Neste Rebirth, temos uma interessante mistura de climas, com um tantinho da série Arrow aqui, um pouco dos temas clássicos da versão setentista ACOLÁ, para agradar tanto aos fãs antigos quanto aos que se interessaram pela revista depois de ver a produção do CW.

Oliver está em Seattle, distribuindo porrada na bandidagem nas sombras e com um uniforme que é idêntico ao que o Stephen Amell usou na quarta temporada. Eis que, quando surge um grupo que anda sumindo com moradores de rua, o seu caminho se cruza com o de ninguém menos do que Dinah Lance, a Canário Negro. Importante dizer: pós-reboot, este é o primeiro encontro do casal, que nunca tinha se visto na vida, apesar de um ter ouvido falar do outro.

Claro que rola, de imediato, uma química, umas FAÍSCAS. Mas o que melhor funciona aqui são as provocações da Canário. Vejam, Oliver é o paladino da justiça de esquerda, se define abertamente como um guerreiro da justiça social… Mas, apesar do combate ao crime e de todo o trabalho social que a sua empresa faz em prol dos desamparados, quando Oliver volta pra casa e tira seu uniforme, ele enxerga a cidade do alto de sua cobertura milionária, com uma taça de champanhe na mão. “Como você pode ser hipócrita e criticar um tipo de cara… se você É este cara?”. A moça do grito supersônico tem um ponto interessante aqui, e que tem jeito de que vai ser bem explorado de agora em diante.

Destaque ainda pra MARAVILHOSA arte do Otto Schmidt.

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Para encerrar, fica aí com este vídeo no qual participei da antiga série #DomingoHeroico, que ia ao ar nos intervalos da programação do Warner Channel, falando sobre a relação do Arqueiro com a política. Na medida certa pra turma do “ai, não mistura política com os meus gibizinhos de super-herói”.

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