O que o povo tá achando do Morro dos Ventos Uivantes?
A gente ainda não viu. E provavelmente vamos esperar chegar no streaming. Mas uma galera por aí já assistiu e conta o que achou.
Por THIAGO CARDIM
Desde que a diretora Emerald Fennell anunciou que gostaria de fazer uma versão do mega adaptado livro O Morro dos Ventos Uivantes, o que não faltou foi barulho – e quando saíram as primeiras imagens e trailers, então… Rolou a discussão sobre o Jacob Elordi como Heathcliff ter apagado questões raciais do livro, rolou o papo sobre os figurinos estarem teoricamente fora do período histórico adequado, rolou até mesmo um cansaço da insistentemente sexual campanha de marketing…
E a cineasta, no fim, passou boa parte do período de divulgação do filme se justificando. Dando desculpas. Defendendo as suas escolhas artísticas. E, principalmente, reforçando que o título do filme é “O Morro dos Ventos Uivantes”, assim mesmo, com as aspas, para deixar claro que é a sua própria versão da história. Mas vamos esquecer aquela teoria de que a história do filme pudesse ser a personagem de Margot Robbie lendo o livro e se imaginando como a Cathy, por isso uma mistura de estilos e afins… Não. Nada disso.
Não conseguimos ver o filme, mas buscamos as opiniões dos nossos colegas jornalistas – e, desta vez, apenas e tão somente o olhar da imprensa BRASILEIRA. Teve gente que odiou, teve gente que gostou, teve gente que AMOU e teve gente que achou apenas um dos filmes já feitos…
Leia os textos que mais te interessarem (os links pras críticas completas estão logo abaixo de cada trecho selecionado) e depois comente com a gente o que achou. Quem sabe, quando a gente conseguir assistir, rola um vídeo… 😀

“O livro O Morro dos Ventos Uivantes descreve a escassa liberdade das mulheres na era vitoriana e questiona a degradação moral em contextos desfavoráveis. Essas questões não desapareceram por completo no longa de Fennell, mas ficaram obscurecidas pela frivolidade dos personagens, pelo sadismo da mise-en-scène e pela ostensividade tão artificial das imagens. Uma pena”
Folha de S.Paulo
“A versão de Fennell é, afinal, como um filé mignon batido num liquidificador para facilitar a digestão de um desdentado”
Ieda Marcondes
“Nos outros trabalhos, Fennell já foi acusada de priorizar estilo sobre conteúdo. Talvez seja esse o seu cinema. Não é uma adaptação definitiva, mas um delírio sedutor e envolvente sobre um amor que jamais soube ser saudável”
Estado de Minas
“Em vez de tentar contemplar toda a densidade estrutural do livro, o filme opta por um recorte mais direto e concentrado, reduzindo a complexidade temática para adentrar de forma intensa na relação entre Cathy e Heathcliff. Essa decisão narrativa transforma o longa numa experiência mais sensorial, guiada por impulsos, desejos e conflitos que se manifestam de maneira crua e propositalmente menos contida”
Oxente Pipoca
“É como se a cineasta pegasse aquela trama gótica sobre obsessão, luta de classes, abuso e crueldade na Inglaterra do século 19 e colocasse um filtro meio Saltburn – aquele filme da própria Fennell, que chocou a galera com a famigerada cena da lambida no ralo da banheira, em 2023”
G1

“A nova produção aposta numa roupagem pop, da trilha sonora ao método contencioso de abordar a pulsão sexual dos personagens. O recato em relação à culminância da paixão do casal – cenas nas quais a ausência de toque sugere o tanto de desejo reprimido – é eficiente até certo ponto: nos moldes dos doramas coreanos, o público acompanha pacientemente a crescente atração entre Cathy e Heathcliff”
O Grito!
“A produção abraça também uma artificialidade deliberada com a fotografia saturada, já padrão pra carreira da diretora, e um design de produção que flerta com anacronismo e o gótico estilizado”
Dalenogare Críticas
“O desequilíbrio enfraquece a essência trágica da obra: o amor entre os dois deixa de ser uma força igualmente destrutiva para se tornar uma dinâmica em que Cathy conduz o colapso emocional da narrativa. Margot Robbie entrega uma performance física, intensa, mas sua personagem perde camadas ao ser reduzida a um desejo performático”
Notícias da TV
“Fennell mais uma vez revela uma misoginia surpreendente ao converter a governanta em uma criatura calculista, ressentida e vingativa: sim, como uma das narradoras do livro, a personagem se mostrava parcial em seus julgamentos e constantemente justificava suas posições, mas aqui o roteiro deixa a dúvida de lado e a estabelece como uma das principais por todas as tragédias que se seguem”
Cinema em Cena
“Emerald Fennell entrega um longa enfadonho, melodramático e piegas que deixa de lado os temas interessantes e controversos da obra. Já foram feitas mais de 35 adaptações para cinema e TV do livro, e essa consegue ser uma das piores”
O Globo
“Desde os primeiros minutos, o filme deixa claro que não está interessado em preservar a natureza sombria e desconfortável do romance original. A proposta de Fennell, assumidamente baseada em sua leitura adolescente do livro, opta por uma interpretação livre que elimina personagens-chave e simplifica conflitos fundamentais. O resultado é uma experiência desconexa, que pouco dialoga com o texto de Brontë e soa, em muitos momentos, como uma releitura superficial travestida de adaptação literária”
Observatório do Cinema

“Acaba como o despertar de um sonho, quase um alucinação, e mostra que de certa forma Cathy e Heathcliff se encontram em suas próprias loucuras e devaneios de forma teatral e exagerada”
Arroba Nerd
“Repulso e aproximação é como o filme fica tratando o espectador. Eu me senti sequestrado e, portanto, em cativeiro por essa narrativa falsamente singela, falsamente carinhosa, falsamente interessada em falar de amor, falsamente um monte de coisas”
PH Santos
“Um Romeu e Julieta mais POP que busca transcender o tempo e as circunstâncias – à medida que se conecta a um novo público -, o drama é apaixonante, visceral e sufocante da melhor maneira possível”
Cinepop
“A diretora diz que o livro é o favorito da vida dela, mas a interpretação que ela dá é de uma pré-adolescente que leu o livro. Toda a complexidade da história é jogada fora em prol de um romance erótico pretensamente intenso, mas que não cola”
UOL
“É um filme sensacionalista, de fato, mas que se torna mais interessante quando assume essa veia e o kitsch inerente a ela, e mais superficial quando busca rejeitá-la”
Estadão
“Criar figurinos anacrônicos, ou seja, que de alguma forma não se encaixam na época que tá sendo retratada, pode ser uma ferramenta muito boa para criar distância crítica ou para assinalar que aquela é uma visão moderna sobre outra época e por aí vai”
Isabela Boscov
“O Morro dos Ventos Uivantes é de uma beleza acachapante. A direção de fotografia do sueco Linus Sandgren, oscarizado por La La Land (2016), investe bastante na névoa, que tanto empresta um caráter etéreo ao romance entre Catherine e Heathcliff quanto aponta para a existência de segredos, traições, mal-entendidos e perigos ocultos”
Zero Hora
“A atração física também pode parecer sobre-humana. É o que o filme evoca e, por meio da montagem, o simbolismo brilha nos pequenos detalhes”
Veja São Paulo
“Neste retorno ao cinema consegue entregar ao público um bom melodrama, apesar de meio anacrônico e caricato em alguns momentos. No fim, como um bom e velho romance também pode ser”
R7
“O filme não dá conta da premissa básica de Emily Brontë e ainda deixa de fora a segunda parte – como aconteceu em outras versões para o cinema –, mas aqui sem nem manifestar qualquer indício gótico da história na primeira parte. Sem contar as referências bobas ao estado de morte interior e contaminação emocional traduzidas em gargantilhas religiosas e tecidos translúcidos”
Harper Bazaar Brasil
“Não há problema em autores revisitarem obras aclamadas com uma nova visão. É corajoso? Sem dúvida. Mas a adaptação de Fennell toma decisões que a tornam desinteressante e monótona. Como já mencionado, a realizadora explora o erotismo e a satisfação derivada da dor – tema estabelecido já na abertura, quando os personagens demonstram prazer diante de uma execução em praça pública, e a influência da estética BDSM se faz presente em cenários (com simbolismos bastante óbvios), figurinos e nas interações entre os personagens. Contudo, o erotismo não consegue ir além de uma provocação ordinária e tendo a dramaticidade oca”
Cabana do Leitor
“Apesar de sua força visual, o filme falha em sustentar o fôlego até o final. Fennell foca tanto na construção da tensão sexual e do estilo que, ao chegar ao clímax da vingança de Heathcliff, o roteiro parece querer correr para o encerramento. A complexidade geracional do livro é sacrificada em prol de um drama mais focado no presente, o que pode deixar um vazio para quem esperava a conclusão espiritual e fantasmagórica que define a obra original”
Poltrona Nerd

“Não é um absurdo dizer que todas figuras de O Morro dos Ventos Uivantes são pintadas como crianças – algumas birrentas e outras mimadas – e essa linguagem potencializa o aspecto performativo, quase fantasioso de Fennell. Os gestos são grandes, mas nunca humanos. O calor é alto, mas sempre é fabricado”
Omelete
“Entre banalidades e bizarrices, de personagens afundados na ruína, dependentes de maquinações amorosas, e jeitosos com torturas e degradação, a maliciosa e incoerente adaptação não deixa de ser chamativa”
Correio Braziliense
“É exatamente o que está na capa. Ao entrar no cinema, você não será enganado pela propaganda; o que está ali é o puro suco de Fennell. Pode faltar o miolo, mas tem bastante do tipo diversão que só um delírio adolescente bem executado consegue proporcionar”
O Vício
“Não há momento ameno em O Morro dos Ventos Uivantes e penso que é isso que o torna um bom entretenimento, mesmo com seus defeitos. Tudo é muito: não só os diálogos intensos, mas os figurinos exuberantes e os cenários imponentes. Aqui, aliás, está o maior trunfo do filme para mim: a marca visual é deliciosa para os olhos. Descreveria como algo fantástico, etéreo, que não parece estar localizado em um tempo ou mundo exato, mas flutuando no imaginário dos contos de fada”
Adoro Cinema
“Traz uma quebra de expectativa para quem entrou na sala de cinema pronto para falar mal e não gostar. Contudo, é inegável que o filme é um romance de época e esse tipo de narrativa é naturalmente mais sensível e clichê”
Rolling Stone Brasil
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