Repassando a discografia do Edguy
10 anos depois, a banda original de Tobias Sammet, do Avantasia, e uma das favoritas DA VIDA deste editor que vos escreve, anuncia um retorno – então, nada mais justo do que celebrá-los com MÚSICA
Por THIAGO CARDIM
Esta é daquelas histórias bastante comuns no mundo do rock. Estamos em 1992. A cidade é Fulda, na Alemanha. Quatro estudantes de 14, 15 anos resolvem montar uma banda. Fãs de heavy metal, claro, lá foram eles dedicar-se ao ofício de fazer barulho. O batismo de seu grupo foi com um apelido que, na verdade, era uma homenagem a um homem de nome Edgar Siedschlag – no caso, seu professor de matemática na época. Molecagem, obviamente.
Eram os anos 1990, o metal estava sendo oficialmente declarado como morto pela espada de um gênero de cabelos desgrenhados e camisas de flanela. E, mesmo assim, o jovem Tobias Sammet (vocalista e, na época, também baixista) e seus amigos Jens Ludwig (guitarra), Dirk Sauer (guitarra) e Dominik Storch (baterista, que sairia em 1997) não se intimidaram e, fazendo jus a uma herança de nomes clássicos como o Iron Maiden e, principalmente, aos seus predecessores germânicos do Helloween, galgaram uma história brilhante de metal espadinha salpicado de hard rock do mais farofento.

Atuando meio que uma geração depois do fenômeno Stratovarius, que foi uma febre power noventista especialmente na América Latina e no Japão, o Edguy ajudou a infusionar este metal mais melódico de uma vitalidade e bom humor que, de fato, acabaram furando a bolha, levando a sua sonoridade inclusive para uma galera mais jovem e que não estava acostumada a ouvir sons mais pesados.
Com o surgimento do Avantasia, o que era um projeto solo cresceu de tal maneira que acabou se tornando a ocupação principal de Tobias Sammet, onde ele é o cabeça da coisa toda. Junte a isso um natural desgaste de relacionamento que quaisquer bandas costumam ter depois de anos em turnês na estrada e, bingo, o Edguy entraria em hiato. E um hiato real e oficial, que até então vinha durando quase uma década desde aquele último show em 2017. Muita gente sempre perguntando ao Tobias sobre o assunto em suas redes sociais e ele, bastante diplomático, lembrando do amor que tinha pelas músicas, mas reforçando as dificuldades de conexão, um cansaço…
Até que aconteceu. Algo se consertou, alguma conversa foi tomada e, esta semana, depois de muita espera, eles anunciaram uma apresentação final, uma reunião para servir de despedida justamente em Fulda, sua casa, no dia 25 de junho de 2027. Uma reunião que, segundo fontes seguras que giram ao redor do grupo, deve se tornar uma gira mundial, uma turnê com grandes chances de passar pelo Brasil e, talvez, aportar num festival como o Bangers Open Air.
Pra você entrar nessa onda com a gente, fizemos aqui uma repassada geral por todos os álbuns de estúdio da banda. Faça o favor não apenas de ler, mas também de OUVIR cada um deles. E, como eu, que carrego o Edguy como uma das bandas da MINHA VIDA, que a partir deste momento você também esteja oficialmente EDGUYFICADO.
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Kingdom of Madness (1997) – OUÇA AQUI

Eles eram um quarteto de jovens músicos prodígio. Uns moleques metidos que, do alto de seus 16 anos, conseguiram um contrato com uma gravadora para lançar seu primeiro disco “oficial”, embora já tivessem colocado no mercado uma versão demo que não deu muito certo. A produção é meio seca, um pouco tosca até, mal dá pra ouvir o baixo. Mas não esconde o prenúncio de que algo muito bom estava a caminho.
Obviamente, houve quem estranhasse de primeira aquela voz meio desafinada, meio esquisita, do vocalista Tobias Sammet – que está longe de ser um rouxinol afinadinho e de voz limpa como seu ídolo Michael Kiske.
Mas não dava para um bom fã de metal passar incólume diante de canções como “Deadmaker” ou “When a Hero Cries” – além de um imenso épico de 18 minutos batizado de “The Kingdom”.
Detalhe importante: as letras. Surgia uma banda de power metal que, ao invés de versar sobre guerreiros medievais ou ambientes de fantasia, optava por temas mais profundos, provocativos, etéreos, sentimentais. Estava feito.
(Nota 7)
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Vain Glory Opera (1998) – OUÇA AQUI

A grande “fraqueza” do segundo álbum do Edguy, e que talvez seja o motivo de estarmos diante de um disco que não foi exatamente um estouro de primeira entre os metalheads, reside no fato de que ele é muito forte em sua primeira metade, mas se torna um tanto apenas OK a partir da sétima faixa.
Além de uma participação especial na canção-título, o conterrâneo Hansi Kursch, do Blind Guardian, solta a voz em “Out of Control”, poderosa canção que ainda tem um solo inspirado de Timo Tolkki, ex-líder do Stratovarius e responsável pela mixagem da obra.
Esta primeira metade de respeito ainda tem a gostosa baladinha “Scarlet Roses” e a cavalgada “Until We Rise Again”, bastante pedida pelo fã-clube oficial do grupo todas as vezes que eles aportam por aqui.
Vain Glory Opera está longe de ser um disco perfeito e inconteste. No entanto, conforme defendem alguns críticos (eu incluso), serviu como aperitivo de seu talento e como um sinal de que tinha uma nova e jovem banda no cenário europeu, e disposta a fazer algo diferente. Um cartão de visitas mais eficiente do que o próprio disco inicial. Se eles conseguiram ultrapassar a marca do segundo álbum, grande teste da indústria fonográfica, é sinal de que vinha coisa especial pela frente …
(Nota 7,5)
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Theater of Salvation (1999) – OUÇA AQUI

O primeiro trabalho com o novo baterista Felix Bohnke e com o baixista Tobias ‘Eggi’ Exxel – assumindo o instrumento que outrora Sammet acumulava com o microfone – e que transformou o Edguy definitivamente em um quinteto (e, bom, aquele quinteto que seguiu junto sem parar até a pausa).
Depois de Vain Glory Opera, que não disse muito a que veio naquele momento, mas lhes deu uma bem-vinda popularidade, era a hora da banda chutar a porta, se superar, atingir um outro nível.
Era hora de mostrar que o Edguy fazia power metal, mas longe do molde genérico que facilitaria as comparações não apenas com o Helloween, sua grande influência, mas também com outros exemplares do velho continente como Hammerfall, Gamma Ray e afins. Deu certo.
Basta ouvir a mistura de fúria e melodia de “Babylon”, clássico absoluto, presença imbatível nos shows do grupo, para entender do que estamos falando. O mesmo vale para as guitarras acústicas (que conseguem produzir uma avalanche de riffs pesados e complexos) de “Holy Shadows” e para a gigantesca faixa-título, que surpreende a cada mudança de tempo. O grande destaque, no entanto, fica para a sua melhor balada até o momento, a deliciosa e envolvente “Land of the Miracles”, que é impossível de ficar sem cantar junto – prova do talento inestimável de Tobias para produzir hits do heavy metal. E ele estava apenas abrindo a sua fábrica.
(Nota 9)
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The Savage Poetry (2000) – OUÇA AQUI

O Edguy resolveu dar uma chance ao seu álbum demo, o primeiro lançamento colocado na rua em formato limitado, antes da assinatura de seu contrato com a gravadora AFM. Nenhuma gravadora se interessou pelo dito cujo na época, gravação realizada por um bando de moleques promissores. Mas Tobias, que estava em pleno andamento com o Avantasia, não se fez de rogado.
Sabia do potencial daquelas canções. Então, eis que eles pegaram todas as músicas e regravaram, por vezes aplicando um arranjo diferente e especial, chegando até a mudar algumas letras. Quanta diferença.
Detalhe: dá para comparar bem porque, em alguns mercados, The Savage Poetry saiu como um álbum duplo, com a versão demo original – que não tinha o “The” no título – na íntegra em um segundo disco. Por mais que não seja genial, o resultado final regravado e retrabalhado tem seus bons momentos. “Key to My Fate” é um metalzão melódico rápido e eficiente, uma música que mostra a banda em excelente forma e que deveria ganhar espaço mais vezes nas apresentações ao vivo.
E “Eyes of the Tyrant”, um épico glorioso de 10 minutos de duração, é a prova de que Tobias fez muito bem em largar o baixo e dedicar-se apenas e tão somente aos vocais. É nesta faixa que o outro Tobias, o Exxel, mostra seu talento, vibrando suas quatro cordas como quase nunca se vê em toda a discografia do quinteto.
(Nota 7,5)
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Mandrake (2001) – OUÇA AQUI

Um CD que abre com “Tears of Mandrake”, canção que é uma espécie de hino indispensável nos shows do Edguy, não tinha como errar. Um dos pontos altos da discografia dos alemães, que virou automaticamente uma espécie de clássico pra quem é fã do gênero.
É o Edguy no ápice do power metal alemão, mostrando de vez que é muito mais do que uma simples promessa. É um Edguy ainda muito Helloween, é claro. Mas que já explora um pouco a sua faceta NWOBHM – a longa “The Pharaoh”, uma espécie de herdeira de “Rime of the Ancient Mariner”, ou a excelente faixa-bônus “The Devil and the Savant”, que poderia muito integrar um “Seventh Son of a Seventh Son”, são provas vivas e pulsantes da influência.
Se as aceleradas “Fallen Angels” e “All the Clows” conversam diretamente com o DNA germânico do grupo, “Jerusalem” e “Paintings on the Wall” até que pisam no freio, desacerelando os bumbos duplos, mas sem perder peso e melodia. O mais interessante de Mandrake é que o álbum foi uma espécie de prova de fogo para Tobias Sammet – afinal, foi o primeiro lançamento do Edguy depois do sucesso estrondoso de sua ópera metálica repleta de convidados especiais.
Com uma coleção fortíssima de canções, ele conseguiu provar que as duas coisas tinham (até aquele momento, hahahaha) espaço em seu coração, com características bastante distintas e singulares.
(Nota 9,5)
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Hellfire Club (2004) – OUÇA AQUI

Na opinião deste que vos escreve, o melhor álbum da discografia do Edguy – o passo inicial em direção a uma sonoridade que, ainda que inspirada pelo Helloween, ganhou tons e sabores diferenciados e que guiariam estes alemães pelos anos seguintes.
Com uma temática mais “sombria”, que a capa já entrega de imediato, o instrumental arrisca-se, em alguns momentos, em um flerte com o metal britânico – que o digam “Under the Moon” e “Down with the Devil”.
A abertura com “Mysteria” (que, numa faixa-bônus, tem uma deliciosa versão com Mille Petrozza, o vocalista do Kreator, substituindo Tobias), além da frase que se tornaria praticamente um bordão para o Edguy – “ladies and gentlemen, welcome to the freak show!” – tem o seu quê de Judas Priest.
Mas o que é mais marcante é que a banda perde de vez o medo de usar o humor em suas composições, como na grudenta “Lavatory Love Machine”, escrita depois de um incidente com o avião em sua vinda para o Brasil, para a gravação do DVD ao vivo do Shaman, até então banda de seu amigo Andre Matos. A canção tem aquele ar hard rock que passaria a fascinar Tobias tanto no Edguy quanto no projeto Avantasia.
Single e principal hit do disco, que os levaria inclusive a tocar na TV europeia – verdadeiro feito para uma banda de metal fora do mainstream – a música “King of Fools” já mostrava uma tendência que acabaria afastando parte dos fãs que se viciaram no Edguy de Mandrake. Azar o deles, hahahaha
(Nota 10)
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Rocket Ride (2006) – OUÇA AQUI

Em Rocket Ride, continua o flerte da trupe de Sammet com o hard rock, sugerido no também excelente Hellfire Club e consolidado mais tarde no EP Superheroes. A bolacha abre com a épica “Sacrifice” que, do alto de seus 8 minutos, mais parece ter saído do disco anterior.
Mas logo em seguida, a faixa-título dá início a uma nova proposta de som que pega você pelo pé e te faz ficar grudado no aparelho de som até o final. O tal “power metal melódico” (ou algo assim) está lá, é verdade – em faixas como “Wasted Time” e “Return to the Tribe”.
Mas se estas canções, seguindo fielmente a escola do metal da Bavária, já são nitidamente superiores ao material produzido recentemente por “umas e outras” bandas consagradas do estilo, o Edguy mostra realmente a que veio com Rocket Ride quando se liberta das amarras das nítidas influências sentidas em seus primeiros discos.
Livres de qualquer comparação, eles evoluíram suficientemente para soar apenas e tão somente como Edguy. E com muito bom humor e um inegável talento, podem fazer coisas como a modernosa “Matrix” ou como as deliciosas “Out of Vogue”, “The Asylum” e “Superheroes”, todas com pitadas da sonoridade daquelas bandas oitentistas de calças apertadas e laquê nos cabelos.
E o que dizer de “Trinidad” e sua improvável referência a ritmos caribenhos (sim, estou falando sério)?
(Nota 9)
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Tinnitus Sanctus (2009) – OUÇA AQUI

Justamente quando seus fãs mais hardcore clamavam por uma espécie de continuação de Mandrake, surge Tinnitus Sanctus – que é ainda mais hard rock do que seu antecessor, Rocket Ride, e, portanto, totalmente distante de Mandrake. Hard rock com pegada mesmo, que vai da levada setentista do Deep Purple ao som cheio de marra de oitentistas como o Mötley Crüe, passando até pela pop e grudenta produção recente do Aerosmith (escute “929” e depois a gente conversa).
A canção que abre o disco é o primeiro single, “Ministry of Saints”, um hard ‘n’ heavy energético com um empolgante refrão milimetricamente construído para ser cantado a plenos pulmões.
Na sequência, para não deixar dúvidas sobre a proposta, o riff contagiante e a letra esperta de “Sex Fire Religion” – por sinal, os carolas devem ficar longe de Tinnitus Sanctus, pois ele reflete novamente a obsessão de Tobias Sammet por sacanear os temas religiosos de maneira sutil e bem-humorada.
Mas, apesar do disco ser um passo evidente na evolução musical da banda se analisarmos todo o contexto que vieram montando com Hellfire Club e Rocket Ride, este não deixa de ser o Edguy que todos conhecem. A velocidade e os pedais duplos do power metal alemão ficam bastante evidentes na longa “Speedhoven” ou mesmo nos contornos épicos de “Dragonfly”. Heavy metal, e dos muitos bons, sem sombra de dúvidas.
(Nota 8)
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Age of the Joker (2011) – OUÇA AQUI

Age of the Joker é mais do que um ótimo disco, um álbum divertido para se ouvir de cabo a rabo sem restrições, mas sim uma obra corajosa e audaciosa, cortesia de um músico que não faz qualquer questão de se curvar aos pedidos insistentes de uma trupe de xiitas que querem ouvir aquele metal melódico padrão que os Edguys faziam lá no começo de suas carreiras.
O disco faz mais sentido se for representado pelos refrões grudentos de “Faces in the Darkness” e “Two Out of Seven”, duas daquelas passagens que são costuradas na medida certa para funcionarem nas apresentações ao vivo.
A trinca de abertura do trabalho também é emblemática – porque, depois de ouvir “Robin Hood” (segundo Sammet, a primeira elegia metálica ao príncipe dos ladrões), “Nobody’s Hero” e “Rock of Cashel”, é muito difícil sair indiferente, sem ao menos cantarolar a melodia enquanto ensaia um air guitar.
Mesmo a longa “Behind the Gates to Midnight World”, com seus quase nove minutos, é menos épica e grandiosa e muito mais bonitinha. Pode parecer pouco, mas juro que não consigo encontrar outra expressão que não “bonitinha”.
Está mais para Aerosmith (aquele dos anos 70, leia-se) do que para Helloween.
(Nota 8)
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Space Police: Defenders of the Crown (2014) – OUÇA AQUI

Desde o título – a junção dos nomes de duas músicas do álbum e que a banda achava igualmente ideais, ainda que um tanto ópera-rock demais, mais David Bowie do que heavy metal – até à capa com um gostinho de ficção científica pulp dos anos 70, estava nítida a intenção do quinteto. Aqui, o Edguy permanece em sua toada hard ‘n heavy, construindo uma sonoridade única, própria, e se divertindo horrores com ela.
Não se deixe enganar pela excelente faixa de abertura, “Sabre & Torch”, que tem na letra uma declaração clara de que estes sujeitos estão dispostos a explorar, a ir até onde nenhum homem (ou músico) jamais esteve. Pura farofa.
O mesmo acontece em “Defenders of the Crown”, uma elegia ao fato do Edguy ser um “bastião da resistência da coroa metálica” (sarcasmo pouco é bobagem). E em “Space Police”, igualmente acelerada e divertida, a mensagem mais certeira: uma certa polícia espacial o tempo todo tentando dizer o que os músicos devem fazer e que regras devem seguir. “You’re all about to make a fool of yourself / Goes the space police / Cause you’re about to negate their rules / Watch out for the space police”. Entenderam o recado?
Dois outros destaques: “Love Tyger”, canção que se tornou o primeiro videoclipe do álbum, concebida como um tributo de Tobias a si mesmo, é farofa da pura, da boa, do tipo que gruda na sua cabeça por dias. A outra pequena obra-prima dentro é a versão deles para “Rock Me Amadeus”, hit do cantor pop austríaco Falco e que fez os fãs estranharem bastante no momento de seu início. Nada a temer. Ela ficou totalmente com a cara do Edguy, como se fosse originalmente sua. E com direito até ao cantor do grupo exercendo seu lado mais Mike Patton, no Faith No More, numa passagem meio falada, meio rap, sem os gritinhos aos quais está acostumado. Genial.
(Nota 9)
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