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YacamÝ: game leva guerreira indígena em uma jornada pela Amazônia

Desenvolvido pela empresa baiana Ouroboros Development, jogo para PC chega no momento CERTO e deve aportar nas plataformas de financiamento coletivo muito em breve

Por THIAGO CARDIM

Falar sobre a importância de um bioma como a Amazônia para o Brasil e também para o mundo me parece chover no molhado – aprendi isso na escola, ainda nas aulas de Geografia, e vi o discurso sendo reforçado por meio de dados científicos (e não achismos de WhatsApp) ao longo dos anos, apoiado por alguns dos maiores estudiosos do planeta. Mas, mesmo assim, a região sempre esteve sob ataque de quem relativiza esta importância e agora digamos que temos até um governante e seu Ministro do Meio Ambiente liberando a dilapidação geral ao dizer que a culpa das queimadas é da “visão ideológica”…

Por isso mesmo, iniciativas como a do jogo YacamÝ são fundamentais. É a cultura pop correndo por fora para tentar mostrar o valor do nosso imenso tesouro verde. Batizado com uma adaptação da palavra “Yacamim” de origem tupi-guarani, que significa “gênio de muitas estrelas” e vem de um personagem das lendas indígenas, o projeto está sendo desenvolvido pela Ouroboros Development, uma empresa de Salvador, na Bahia, que existe há praticamente um ano e surgiu “na base da diversidade”, segundo eles, em entrevista para o Gibizilla. “Hoje, nós não só criamos e publicamos jogos imersivos e que possam lhe proporcionar boas experiências, mas como também criamos a Ouroboros Gaming, o nosso time oficial de e-sport, junto a uma rede de streamers (que está em desenvolvimento). Atualmente somos, ao todo, uma família de 20 pessoinhas maravilhosas”, explicam eles.

A ideia deste jogo, que mistura referências diversas como Celeste, Assassin’s Creed Chronicles, Guacamelee! e CupHead, além de produções recentes desenhos do Cartoon Network e longas animados como Paranorman, é levar o jogador para uma jornada ao lado de Naara, personagem principal inspirada nas guerreiras indígenas da Amazônia. “Na verdade, sua história começa antes da Amazônia, mas é nessa terra que ela irá se encontrar e, nesse processo, nos salvar e nos apresentar nossas próprias histórias e origens”, explicam.

Além de pontuar nossas lendas nacionais e assim mostrar aos jovens que não precisamos ficar babando o ovo de sátiros ou de uma píton da conhecida mitologia grega quando temos nosso folclore com Curupira e Boitatá, YacamÝ tem o objetivo de trazer sob a luz da fantasia a nossa realidade da Amazônia em perigo devido ao desmatamento, caça ilegal, etc. Mas este é um projeto 100% autoral. “De maneira a não ofender ou desmerecer nenhuma tribo do nosso país, optamos por criar tribos que se adaptaram à nossa história, mas que trazem a tradição e o cuidado indígena com sua terra e reforçam a noção de povo originários”.

Desta forma, embora contem com o apoio de especialistas em cultura indígena, eles preferiram construir algo “fictício”, para não se colocarem TOTALMENTE nesse papel de conhecedores de uma realidade da qual não fazem parte integral. “Apenas pontuando algo que deveria ser a obrigação de todo brasileiro, que é o cuidado com a Amazônia e a preservação de sua cultura”.

Inicialmente focados numa pré-produção mais intensa, com uma montagem estruturada de roteiro e definição do estilo de arte, agora eles estão começando a focar na produção 3D de personagens e cenários, além é claro do chamado level design – que é, basicamente, o planejamento das fases do jogo. “A princípio, o jogo estará disponível apenas para PC”, explicam eles. “Mas relaxa, quem sabe mais para frente não lançamos também nos consoles?”, dizem, brincando mas obviamente com uma pontinha de esperança. Independente tem mesmo que resolver um passo de cada vez, né.

Além disso, eles estão fechando algumas parcerias, a serem divulgadas em breve, para ter uma boa estrutura e também recompensas interessantes no financiamento coletivo, que vai ajudar na reta final da produção. “Queremos melhorar ainda mais a experiência das pessoas com o YacamÝ. Pretendemos futuramente levar o jogo para o mundo, proporcionando experiências verdadeiramente únicas com este projeto”.

Eles pretendem direcionar ainda parte da arrecadação para a causa indígena, porque além de ser um gesto simbólico de agradecimento à inspiração para o projeto, eles acreditam que estarão também dando o exemplo. “Quem sabe também isso não acaba incentivando outras pessoas e/ou empresas do meio a ajudarem a causa também…”.

Tomara! <3

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