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Sobreviventes da Fronteira mistura humor, aventura, Ramones e Molejão

Na reta final de sua campanha de financiamento coletivo, a nova HQ de Fred Rubim pretende ser uma espécie de road movie em quadrinhos

Por THIAGO CARDIM

Tudo começou com dois fãs de Ramones. Ou quase isso. O quadrinista Fred Rubim e o entusiasta dos gibis, editor de longa data e pessoa LINDA Fabiano Denardin, ambos gaúchos, já conversam há algum tempo sobre fazer uma história ambientada na região da fronteira do Rio Grande do Sul – devidamente conectada com nossos chapas sul-americanos.

Aí, eis que a banda punk novaiorquina, da qual ambos são fãs, entrou no circuito. “O show derradeiro dos Ramones pareceu um bom ponto de conexão pra homenagear vários temas como os próprios Ramones, os hermanos argentinos, o portunhol e a nostalgia dos anos 1990”, contou Rubim, em entrevista ao Gibizilla. “É um recorte de uma região e de uma época bem específicos, mas tudo isso serve de cenário pra relação entre os personagens”.

O resultado acabou sendo “Sobreviventes da Fronteira”, novo lançamento da editora hipotética e que segue em campanha de financiamento coletivo até o dia 4/11, no endereço catarse.me/sobreviventesdafronteira. Com argumento original em coautoria com Denardin, a HQ é a primeira obra na qual Fred assume integralmente tanto arte quanto roteiro. Antes disso, ele tinha publicado em algumas editoras, em parcerias com gente como Cesar Alcázar (O Coração do Cão Negro, na Avec) e Fábio Yabu (As Três Sepulturas, pela Jambô).

Depois de cuidar da arte de Os Sussurros do Caos Rastejante, graphic novel que faz parte da Coleção Cthulhu, do Jovem Nerd, atualmente ele está envolvido com a adaptação do Nerdcast RPG Ghanor para os quadrinhos.

Sobreviventes da Fronteira
Sobreviventes da Fronteira

Aperta o play… ou quase isso

Mas aqui em “Sobreviventes da Fronteira”, o roteirista e desenhista coloca a fantasia e o sobrenatural de lado para contar uma narrativa que poderia tranquilamente ser autobiográfica, apesar de não ser. “A história acompanha esse grupo de amigos que inventa de atravessar a fronteira do Brasil com a Argentina em direção ao show de despedida dos Ramones na América Latina, que aconteceu em 1996, em Buenos Aires”, explica ele. “A viagem não ocorre exatamente de acordo com o planejado, e várias tretas acontecem. É um road movie em quadrinhos”.

A sinopse oficial é genial, pelo nível de detalhes aparentemente sem qualquer relação e que mostram que a trama deve ser daquelas que escalam de 1 a 100 muito rápido. Estamos falando de uma trama estrelada por João Ramiro, que provavelmente é o maior punk da fronteira entre Brasil e Argentina. Um raro fã de Ramones entre o grupo de colegas que curte muito pagode dos anos 1990 e um bom vanerão gaudério, ele tem apenas um grande amigo: Matias – que bolou um plano para os dois assistirem ao último show da banda. É aí que entra Magrão, que topa encarar uma viagem de carro com os amigos só porque ele entraria em qualquer roubada para visitar Albertina, una chica punk rocker que vive do outro lado da fronteira.

Agora… o que uma fita K7 do Molejão tem a ver com um grupo de amigos viajando de carro do

Brasil para a Argentina? “Vocês vão ter que ler pra descobrir!”, brinca o autor.

(SPOILER: se você é aquele tipo de “roqueiro” que se leva tão a sério a ponto de não gostar de ouvir Molejo, talvez esteja no site errado, hahaha)

Sobreviventes da Fronteira
Sobreviventes da Fronteira

Um pouco de gibi, um pouco de música

Além de homem dos gibis, Fred também é um cara da música (um pouco como a gente aqui do Gibizilla, pra ser honesto). Já se arriscou em pelo menos duas bandas diferentes, ambas independentes – Herói (de hardcore melódico) e Brinquedo Velho (numa pegada mais rock alternativo). Mas será que ele acha que sua experiência musical ajudou artisticamente ao desenvolver ESTA obra em específico?

“Totalmente”, diz ele, sem pestanejar. “Desde muito cedo, aprendi a gostar de Ramones e punk rock, e com isso veio a vontade de ter uma banda e tal. A HQ também é recheada de referências à cultura dos anos 1980 e 1990, e à música pop latina da época. Os fãs de rock se sentirão bem representados!”.

Aproveitando o embalo, eu pedi que ele selecionasse CINCO canções pras pessoas ouvirem enquanto leem o gibi – e ele me contou que já existe uma playlist oficial da HQ no Spotify, que é uma mix tape selecionada por cada um dos 4 personagens. Todavia, claro, pra dar aquela moral ao leitor aqui do site, Fred pinçou cinco temas que ajudam a dar o clima. Escute e já saiba o que esperar. Agora é só apoiar. 😉

– Judy is a Punk (Ramones)
– Amigo Punk (Graforréia Xilarmônica)
– Velhas Fotos (Tequila Baby)
– De Musica Ligera (Soda Stereo)
– Ele Quer Ser Punk (Replicantes)


O lançamento oficial da publicação acontece em dezembro, durante a CCXP, em São Paulo. 

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