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Avantesma propõe um mergulho nos fantasmas urbanos

HQ da dupla Mhorgana Alessandra e João Rampi, em financiamento coletivo, pretende explorar o horror a partir de lendas e mitos locais de Belo Horizonte

Por THIAGO CARDIM

Toda vez que a gente fala de uma história de terror urbano, com uma estética noir e expressionista, geralmente se pensa em algo ambientado numa Londres vitoriana ou, quem sabe numa Nova York contemporânea… Mas que tal uma história de terror psicológico e suspense investigativo nesta pegada só que na cidade de Belo Horizonte?

Essa é a ideia da HQ Avantesma, que mistura realidade e ficção no emblemático bairro da Lagoinha, conhecido por sua história marcada por profundas transformações sociais e sua atmosfera misteriosa. “Apesar de ter vivido momentos de esplendor, a Lagoinha parece ter nascido fadada à decadência e à degradação. Berço da boemia belo-horizontina, o bairro não recebeu a atenção que merecia, deixando a impressão de que veio ao mundo para morrer logo em seguida”, diz a dissertação Lagoinha, um espaço natimorto, defendida pela arquiteta Cláudia Mattos Gonzaga, junto ao mestrado em Geografia do IGC.

“Eu moro em Belo Horizonte, e a minha ideia nasceu do interesse em explorar histórias de lendas e horror urbano, que eu gosto muito!”, explica a roteirista Mhorgana Alessandra, em entrevista ao Gibizilla. “Já escrevi roteiros e contos sobre a temática das nossas mineiras. O bairro Lagoinha serviu de inspiração para criar uma narrativa que se aprofunda nos mistérios e assombrações que permeiam a nossa bela capital. Realizei pesquisa em documentos históricos, relatos de moradores e registros sobre lendas urbanas, e o restante vocês vão poder acompanhar na HQ”.

O projeto que deu origem a tudo — A Arte do Terror — foi criado em 2015 com o objetivo de divulgar contos nacionais nos gêneros terror, horror, suspense, mistério, fantástico, sobrenatural, entre outros.

Embora uma das principais referências/influências seja, além do nosso folclore, o mestre gótico Edgar Allan Poe, ela reforça que a história é completamente brasileira. “Avantesma traz o horror urbano mineiro para o centro da trama, explorando a atmosfera sombria do bairro Lagoinha, em Belo Horizonte. Misturo suspense noir com elementos da nossa cultura, criando uma história que só poderia nascer aqui…”.

Os mistérios esquecidos de uma cidade

Antes que você pergunte (e obviamente já deve estar se perguntando, rs), o título Avantesma é uma expressão informal que se comunica com o nosso popular fantasma: “aparição de uma pessoa morta ou da sua alma” ou, como reforça o Dicionário Priberam, “pessoa ou objeto assustador, disforme ou demasiado grande”.

Já deu pra sacar, portanto, qual é o caminho da trama  – no caso, protagonizada pela Investigador Mário, um policial de passado duvidoso que se vê envolvido em uma investigação sobre uma entidade sobrenatural que assombra a região. Conforme mergulha nos segredos do bairro, Mário se depara com memórias enterradas, episódios de violência histórica e fantasmas (reais e simbólicos) que questionam a própria natureza da verdade e da culpa.

A narrativa foi construída pela roteirista – doutoranda e mestra em Letras, psicóloga e neuropsicóloga, além de pesquisadora dos grupos NUPEQ e GPOQT, associada da ASPAS e ABERST, e finalista do Troféu HQ Mix com a HQ Silentium e a coletânea Terror em Nanquim – com base em muita pesquisa documental, criando “um universo imersivo e inquietante, onde o tempo é fluido e o passado se impõe sobre o presente”.

Quem assina a arte é o professor e ilustrador João Rampi, membro do Núcleo de Pesquisa em Quadrinhos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (NuPeq) e especialista em Arte e suas linguagens pela IESF (2011), além de graduado em artes visuais / Licenciatura pela UFMS (2008). Alternando entre diferentes épocas, o seu traço conecta o presente com um passado de execuções, violência e silenciamentos.

Com um olhar que transita entre a literatura e a investigação criminal, o escritor e delegado de Polícia de Minas Gerais, Luca Creido, assina o prefácio, explorando as conexões entre crime, memória e os horrores ocultos na paisagem urbana.

Avantesma terá 60 páginas em preto e branco, formato 17 cm x 25 cm e capa cartonada em cores, com orelhas. As ilustrações serão em nanquim e arte digital. A obra independente será lançada em dezembro, durante a CCXP, e está em campanha de financiamento coletivo no Catarse – se você se interessou, CLIQUE AQUI para apoiar.

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