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Três gibis brasileiros pra molecada curtir!

Das muitas indicações de obras que recebemos todos os dias, separamos três aqui, produções brasileiras focadas no público infanto-juvenil

Por THIAGO CARDIM

Nas rodas de discussão sobre gibis, sejam elas presenciais (na mesa de boteco) ou online (nos grupinhos de WhatsApp), o assunto da tal “renovação de público” acaba sendo sempre recorrente. A atual geração de leitores veteranos de HQ tá envelhecendo cada vez mais, os jovens tão conectados nas telas dos celulares e tão pouco se importando com o mundinho dos quadrinhos… Aquele papo todo que você já deve conhecer bem, seja da sua própria mesa de boteco ou do seu grupinho do WhatsApp.

E não, vamos lá, antes que alguém tire a solução do bolso, fazer filmes blockbusters tá longe de ser a estrada que vai pavimentar novos leitores, né?

Mas de que forma dá pra ajudar a formar novas gerações de leitores? Ora bolas, apresentando novos títulos de HQs pra eles, né? E, de preferência, que não sejam apenas as manjadas opções usuais de 1) heróis da Marvel & DC; 2) Turma da Mônica; 3) Disney; 4) Cavaleiros do Zodíaco/Naruto/Dragon Ball e por aí vai. Tudo isso já tá aí, tá dado, é simples de colocar no cardápio. Mas como aqui a gente curte muito dar visibilidade pros brasileiros independentes, resolvemos pinçar três opções de gibis infanto-juvenis pra servir de porta de entrada pro nosso vício usual.

Divirta-se (com seu filho, sobrinho, afilhado e por aí vai)!

::: PINÓQUIO, AVENTUREIRO :::

Uma série de HQs para crianças, adolescentes e adultos nas quais o Pinóquio é um golem animado por inimigos do passado de Gepeto – aqui, um guerreiro aposentado. Uma aventura sobre pais e filhos. Os inimigos do Gepeto são figuras misteriosas que, segundo o autor, o leitor conhecerá ao ler esta obra, estrelada por um boneco espadachim e mal-humorado. “Hoje me orgulho por ser filho de artista, do subúrbio carioca, afro-empreendedor, entendendo o peso ancestral que carrego e como diria meu pai, não sou de reclamar; eu sou de dar a volta por cima”, afirma o autor da obra, Lipe Diaz.

Na apresentação da HQ, o quadrinista explica que sua paixão por livros, quadrinhos de ação, jogos de RPG e aventura foi a principal ferramenta para dar vida a este tronco de madeira. Recentemente em campanha de financiamento coletivo no Catarse, “Pinóquio, Aventureiro” está pronto – e Lipe diz que ele é uma obra dedicada à memória do seu pai. “Meu pai foi artista de rua, poeta, compositor, uma alma livre, virtuoso em vários instrumentos e trago ele comigo. Assim surgiu esse projeto, uma metáfora existencialista. Também dedico a todos os artistas e sonhadores do planeta que tinham tudo para dar errado e mesmo assim fizeram arte.

Lipe vai estar na CCXP – quem quiser saber mais detalhes, é só seguir o cara no Instagram.

::: SUPER AMARELO :::

O quadrinista Geovan Motter, responsável pelo estúdio Quadrinhos.Cão, de Manaus, abriu uma campanha para viabilizar a nova tiragem da HQ “Super Amarelo” — criada pelo seu filho Gianlucca Damasceno Motter, de apenas 7 anos — e ampliar o alcance da HQ “Totó 3”, publicada anteriormente com o apoio de editais culturais.

“Super Amarelo” é uma HQ infantil leve e bem-humorada, cuja primeira tiragem foi lançada em abril de 2025, durante a Semana do Quadrinho Nacional em Manaus, e esgotou em poucas semanas. Na cidade de Yellow City, um artefato raro e valioso será exposto no museu: o lendário Pato Dourado. Mas o terrível Rei Sombrio deseja adicioná-lo à sua coleção e envia um capanga para roubá-lo. Pois o Super Amarelo presencia o roubo e decide agir, com sua coragem e uma sorte inacreditável. Já Totó é um cachorro folgado, esperto e comilão que precisa encarar novos desafios quando percebe que seu território foi invadido. Entre disputas com a Gangue dos Gatolerosos e a chegada do atrapalhado Dynup, o “Cãojinho da Guarda”, Totó enfrenta aventuras e inesperadas no seu quintal.

Embora a campanha mais recente não tenha sido bem-sucedida, é fundamental ficar de olho no estúdio porque eles prometem novas notícias em breve… Siga aqui no Instagram.

::: MAX MEDROSO :::

Max não se parece em nada com um herói clássico. Ele é um garoto que tem uma lista interminável de medos: escuro, sombras, dentistas, palhaços e tantos outros. O que ele nunca imaginava é que iria, por acidente, abrir um portal que o levaria para o Laboratório Interdimensional, onde conhece o lendário Mico Leão Malvado e acaba recrutado para ser o mais novo Agente interdimensional — responsável por proteger a Terra da invasão de monstros, apesar de reprovar em todos os testes de coragem. 
 
A HQ “Max Medroso”, de André Catarinacho Felipe Nunes transforma ansiedades infantis em comédia nonsense. Na missão de salvar o mundo, Max irá enfrentar um terrível monstro totalitário. O seu nome? Celulord. Ele planeja dominar a humanidade via smartphones e a sua “Inteligência Lord”, uma IA que transforma pessoas em zumbis digitais. A ironia: os humanos já destruíram o planeta sozinhos. 

O resultado conquistou Jeff Kinney, autor de Diário de um Banana: “É o melhor tipo de livro: muito divertido e totalmente imprevisível”. 

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