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Omegahorn: o que já sabemos sobre o sucessor de Gavan Infinity

Com monstros gigantes, heróis menos militarizados, visual que mistura Pokémon, Monster Hunter e tokusatsu clássico, Omegahorn pode revelar qual é o verdadeiro plano da Toei para o Project R.E.D.

Por THIAGO CARDIM

Quando a Toei anunciou o Project R.E.D. em 2025, muita gente imaginou que estava diante de um simples substituto para o Super Sentai – e que, de alguma forma, estava trazendo de volta a tradição dos Metal Heroes. Poucos meses depois, ficou claro que a empresa tinha ambições um tanto maiores. A pergunta agora não é mais “o que é o Project R.E.D.?”, mas sim “para onde ele está indo?”.

A resposta pode começar a aparecer em Kakusei Hunter Omegahorn, a segunda série da franquia, que estreia no Japão em 26 de julho e assume o lugar de Super Space Sheriff Gavan Infinity na programação da TV Asahi.

E se Gavan Infinity parecia uma tentativa relativamente segura de introduzir o novo universo usando uma marca conhecida pelos fãs de tokusatsu,Omegahorn parece disposto a jogar o manual pela janela.

O fim precoce de Gavan Infinity não parece ser um acidente

A primeira grande surpresa veio antes mesmo do anúncio oficial. Enquanto séries de tokusatsu tradicionalmente permanecem no ar por cerca de um ano — como acontece com Super Sentai e Kamen Rider há décadas — Gavan Infinity vai encerrar sua trajetória com apenas 23 episódios. Naturalmente, isso provocou um certo estranhamento.

Mas talvez a resposta esteja justamente na proposta do Project R.E.D. Desde seu anúncio original, a Toei vem descrevendo a iniciativa como uma franquia multimídia compartilhada, formada por diferentes heróis e universos que poderão se cruzar no futuro. Em outras palavras: menos temporadas longas e mais personagens sendo introduzidos rapidamente para construir um novo catálogo próprio. Faz sentido.

Se essa leitura estiver correta, Gavan Infinity pode ter funcionado como um “piloto expandido” do projeto, enquanto Omegahorn seria a primeira grande demonstração de como a franquia pretende operar daqui para frente.

Porque obviamente, apesar do nome e de algumas referências, digamos, veladas como o Gavan ninja que obviamente é uma homenagem ao Jiraiya, teve muita gente, Gavan Infinity já é uma série com um tom BEM diferente. Teve muito fã das antigas, inclusive, dizendo que era uma espécie de “tokusatsu pra geração TikTok”, o que nem de longe deve ser enxergado como um demérito.

O que veio ali foi uma série com muito mais foco no humor, em referências ao atual universo digital no qual a molecada está inserida (basta ver o universo de múltiplas cores e emojis da dupla Kiki Iwai e  Kotobuki Takanari)… e episódios que, de alguma forma, apesar de conversarem entre si estruturalmente, pareciam muito com aventuras curtas com começo, meio e fim, sem necessariamente serem o capítulo da vez na luta contra um monstrengo maléfico maior.

Se a Toei buscava uma nova franquia para renovar o público que parecia cansado da fórmula dos cinco fantasiados, Gavan foi um ótimo primeiro passo, ainda que tenha sido um tanto irregular nesta temporada inicial. No entanto, o caminho estava aberto. Restava saber quanto tempo demoraria pra Toei seguir adiante.

O anúncio que pegou muita gente de surpresa

A existência de Omegahorn começou a circular quando a Toei registrou oficialmente a marca em abril deste ano. O anúncio completo veio semanas depois, acompanhado de pôsteres, teaser e da confirmação da estreia para julho.

O curioso é que a reação inicial dos fãs foi bastante diferente daquela observada com Gavan Infinity. Enquanto o primeiro projeto apostava em algum ponto na nostalgia dos Metal Heroes, Omegahorn parece interessado em conquistar um público completamente novo, praticamente do zero.

E isso fica evidente logo no conceito.

A sinopse oficial de Kakusei Hunter Omegahorn ainda é bastante econômica, mas os materiais promocionais revelam elementos suficientes para entendermos a direção da série. O protagonista é Shout the Fiery, um jovem caçador que se torna o herói conhecido como Captain Omegahorn. Ao seu lado está Enkaku, uma gigantesca criatura com chifres que funciona simultaneamente como parceiro, arma e força de combate.

A trama gira em torno das chamadas “Hunter Battles”, confrontos envolvendo criaturas monstruosas que parecem desempenhar papel central naquele universo. Mas o detalhe mais curioso talvez seja outro. Porque, pela primeira vez em muitos anos, uma série da Toei parece colocar os monstros no centro da experiência, não apenas como inimigos descartáveis da semana.

Rolava uma boataria de bastidores a respeito desta nova série ter algum tipo de inspiração em Jaspion, o que definitivamente não se confirmou (pelo menos até o momento, rs). Mas lembremos que o conceito do Daileon, originalmente, era que ele fosse um monstro gigante controlado pelo protagonista, e não aquele robozão maravilhosamente incrível que conhecemos depois. Ou seja, será que a Toei foi buscar esta ideia na gaveta? A conferir.

Pokémon encontra Monster Hunter encontra tokusatsu? Meio isso.

Se você olhou para o teaser e teve a sensação de estar vendo um cruzamento improvável entre Pokémon, Monster Hunter e Ultraman, provavelmente não está sozinho. Eu também. 😀

Os materiais divulgados sugerem que os caçadores possuem algum tipo de vínculo especial com as criaturas gigantes, utilizando dispositivos sonoros que lembram megafones ou instrumentos para despertar, controlar ou potencializar esses monstros. A própria palavra “Omegahorn” remete diretamente a chifres, enquanto o título utiliza um trocadilho envolvendo o ideograma japonês para “despertar” e o ideograma para “chifre”.

Tudo indica que a relação entre humanos e monstros será muito mais próxima do que normalmente vemos no tokusatsu contemporâneo. Menos “destruir o monstro” e mais “conviver com o monstro”. Lembremos que, nas últimas décadas, a Toei concentrou seus esforços em heróis transformáveis, robôs gigantes e batalhas coreografadas. Quem permaneceu carregando a bandeira dos monstros gigantes foi principalmente a Tsuburaya, através de Ultraman.

Omegahorn parece disposto a recuperar parte desse território. Os monstros apresentados até agora possuem design fortemente inspirado nos kaiju tradicionais japoneses, com silhuetas robustas, texturas orgânicas e proporções que remetem muito mais a criaturas fantásticas do que a simples monstros digitais. E isso nos leva ao próximo ponto – que é, de fato, o mais legal até o momento.

Sim, parece que teremos muito efeito prático!!!!

Embora a produção ainda não tenha divulgado bastidores detalhados, tudo o que apareceu nos trailers sugere forte utilização de fantasias físicas e efeitos práticos. Para os fãs veteranos de tokusatsu, mesmo que tenham ficado cabreiros com todo o restante, isso é música para os ouvidos.

Os monstros exibidos até agora possuem movimentação, textura e peso visual compatíveis com os tradicionais suitmation japoneses — a velha arte de colocar uma pessoa dentro de uma fantasia gigantesca e fazê-la destruir miniaturas. É um tipo de espetáculo que continua funcionando justamente porque nunca tenta parecer realista. Ele tenta parecer fantástico, isso sim.

Mas… sim, eu sei que você deve estar se perguntando… cadê a armadura?Comparados aos Space Sheriffs de Gavan Infinity ou aos heróis tradicionais do Super Sentai, os personagens de Omegahorn parecem muito mais casuais.

Tem bonés, jaquetas, algo que lembra bermudas com joelheiras, uns acessórios coloridos cá e acolá e, claro, pouca armadura. Mas muita personalidade, precisamos combinar aqui.

O resultado aproxima a série de franquias infantis contemporâneas, especialmentePokémon e Yokai Watch, nas quais a identificação com o protagonista é tão importante quanto a ação. Dá pra dizer que é uma mudança significativa e, bom, provavelmente deliberada.

Isso não é para quem quer apenas reviver Changeman

Existe uma parte do fandom que sempre espera que o próximo tokusatsu seja uma recriação perfeita daquilo que assistia nos anos 1980 (eu sou um saudoso de Changeman, não posso nunca negar esse fato). Mas Omegahorn claramente não está interessado nisso.

A série parece construída para dialogar com crianças que cresceram consumindo mais do que apenas criaturas colecionáveis, mas também videogames de captura de monstros e animações focadas em amizade entre humanos e seres fantásticos. Isso não significa, no entanto, abandonar os fãs antigos, mas aceitar que eles não são mais o único público relevante.

Sabe aquele papo de sempre, que a gente já levantou inclusive para falar do MCU, o universo cinematográfico da Marvel, que é “aceite, fã das antigas, que nem toda produção para telonas ou telinhas é feita tendo VOCÊ como público-alvo?”. Então. O mesmo parece estar acontecendo aqui. Acabou esse papo de apenas vender nostalgia: o que a Toei quer é criar uma nova geração de consumidores.

Existe ligação com Gavan Infinity?

Essa é a pergunta de um milhão de ienes. Oficialmente, ainda não há confirmação de conexões narrativas diretas entre as duas séries. Por outro lado, alguns elementos visuais chamaram atenção dos fãs mais observadores.

Os dispositivos utilizados pelos heróis em seus megafones parecem compartilhar certas semelhanças conceituais com os Emorgears vistos em Gavan Infinity, incluindo componentes energéticos e sistemas modulares que lembram os brinquedos da primeira série.

Pode ser apenas identidade visual da franquia, mas também pode ser uma pista de algo maior. Se o Project R.E.D. realmente pretende construir um universo compartilhado, faria sentido que algumas tecnologias, organizações ou conceitos transitassem entre diferentes séries.

O verdadeiro teste do Project R.E.D.

Mais do que apresentar um novo herói, Omegahorn carrega uma responsabilidade enorme. Ele será o primeiro projeto completamente original do Project R.E.D., sem depender de uma marca clássica como Gavan para atrair atenção.

Por isso, seu sucesso ou fracasso (ou talvez algo aí no meio) podem dizer muito sobre o futuro da iniciativa. Se funcionar, a Toei terá provado que consegue criar novas propriedades relevantes em um mercado dominado por décadas de nostalgia. Se não funcionar, a tentação de voltar correndo para remakes e revivals será enorme.

Mas, olhando para monstros gigantes, caçadores coloridos, criaturas parceiras e um protagonista que parece ter saído de um anime dos anos 2000, fica difícil negar uma coisa: entre todas as apostas recentes da Toei, esta talvez seja a mais ousada. Ousar nem sempre significa acertar, claro. Mas agora é que são elas… 😉

APROVEITA aí e já assiste ao trailer!

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