A nova dancinha do Pacificador tem nome: Foxy Shazam
Com a faixa “Oh Lord”, sexteto estadunidense – que, segundo James Gunn, é sua banda favorita – assume o papel que outrora foi dos noruegueses do Wig Wam
Por THIAGO CARDIM
Tal qual acontece com clássicos dos animes como “Os Cavaleiros do Zodíaco” e “Yu Yu Hakusho”, a primeiríssima temporada da série do Pacificador (Peacemaker), vivido por John Cena, tornou inútil um recurso típico dos serviços de streaming: o botão “pular abertura”. Afinal, era impossível deixar de passar semanalmente por aquela dancinha deliciosa entre o grudento e o constrangedor, ao som de “Do Ya Wanna Taste It”, dos noruegueses do Wig Wam.
A promessa é que a 2ª temporada, que estreia na telinha do HBO Max nesta quinta (21), traga uma abertura igualmente viciante e também com outra faixa marcante: durante a recente San Diego Comic-Con, o criador e diretor James Gunn anunciou que a canção será “Oh Lord”, da banda estadunidense Foxy Shazam. “É uma música da minha banda favorita em todo o mundo, objetivamente a maior banda de rock do planeta”, anunciou o sr. Cabeça Branca, com uma dose considerável de superlativos.
Se você acompanhou a farofíssima trilha sonora da temporada anterior, aliás, vai perceber que a Foxy Shazam já tinha dado as caras por lá, com a faixa “Welcome to the Church of Rock and Roll”, que toca logo no primeiro episódio, assim que Christopher “Pacificador” Smith vai dar as caras na casa de seu pouco amigável papai.

Mas quem é a Foxy Shazam, pô?
Formada em Cincinnati, Ohio, em 2004, a Foxy Shazam cravou sua marca no mundinho da música com um glam rock explosivo e teatral, recheado de atitude e grooves contagiantes. A banda mistura rock alternativo, hard rock, pop rock e glam, temperado com performances para lá de dramáticas e teatrais.
O Foxy Shazam é formado pelo vocalista Eric Nally, o pianista Sky White, o trompetista/backing vocal Alex Nauth, o baixista Existential Youth (que nome maravilhoso, hahahahahah), o guitarrista Devin Williams e o baterista Teddy Aitkins.
“Cresci em Cincinnati, Ohio, e era um dos três garotos brancos em uma escola só para negros”, explica Nally, em entrevista pro The State Press. Ele revela que o nome da banda Foxy Shazam veio de um apelido em sua escola, que significava “sapatos legais”. Pois é. “Se você tivesse sapatos legais, as crianças diriam que são foxy shazam. Por isso, temos muito soul e tentamos deixá-lo transparecer na nossa música o máximo possível”.
Ele revela ainda que seus pais eram bem pobres quando era criança, mas sempre apoiaram seus interesses musicais mesmo assim. “Nos primeiros anos, eles compravam guitarras e amplificadores baratos para minha banda e nos levavam para shows no Thunderbird da família. Devo muito a eles e um dia os recompensarei”.
A banda surgiu em 1997 – mas se chamava Train of Thought e fazia, vejam só, nu-metal. Após a entrada do guitarrista Loren Turner no grupo em 2003, eles lançaram um EP independente, composto por duas músicas. Só que, no ano seguinte, viria a debandada de diversos integrantes, muito por conta de uma mudança na sonoridade. Eis então que veio o batismo de Foxy Shazam, seguido do álbum de estreia oficial, o independente “The Flamingo Trigger”, lançado em 2005.
Caíram na estrada e, com o ótimo resultado de seus shows explosivos, acabaram assinando com a gravadora Ferret Music. Três anos depois, em 2008, viria o segundo disco, “Introducing”, no qual constava o single “A Dangerous Man”. A partir daí, foram indicados pela Alternative Press como uma das “100 Bandas que Você Precisa Conhecer” – e pois então, fizeram uma porrada de turnês abrindo pra grupos como The Darkness, The Strokes, Hole e Panic! at the Disco, entre outros.
Abrir pro The Darkness, aliás, é algo que faz um baita sentido, considerando o tanto que ambas as bandas já foram comparadas pelo hard rock retrô com pitadas pop (e pela amizade entre Nally e o vocalista inglês Justin Hawkins). O crítico musical Andrew Winney, aliás, fez uma afirmação divertida: “Se Noel Fielding [comediante inglês] e Freddie Mercury tivessem um filho, seria o Eric Nally”.
O próprio frontman, por sinal, tem uma descrição ainda mais curiosa pra definir o som da banda: “Quando ouço um disco do Foxy Shazam, penso em Evel Knievel, Bruce Springsteen, minha infância, Van Morrison, meus velhos amigos do colégio com quem não falo mais, Elton John, os anos 50, 60, 70, 80, 90 e além, Iggy Pop e meu primeiro beijo”.
Depois do sucesso que foi o disco autointitulado, de 2010, que trazia a canção “Unstoppable” – destaque em transmissões do Super Bowl e trilhas de séries e jogos de videogame como “Tony Hawk: Shred” e “The Sims 3: Late Night” – e mais tarde o grandioso “The Church of Rock and Roll” (2012), que colocou os caras de fato em grandes arenas diante do público de um cara como o Slash, por exemplo, ALGO aconteceu. Botaram na cabeça que queriam voltar a lançar um disco independente – e o resultado foi “Gonzo”, de 2014, disponibilizado gratuitamente no Bandcamp do grupo, tudo com produção de ninguém menos do que Steve Albini, o engenheiro de som responsável por álbuns históricos como “In Utero”, do Nirvana, e “Surfer Rosa”, dos Pixies.
Mas depois disso, depois do que dá pra chamar de uma estratégia bastante ousada na busca por integridade musical, fuén, eis que seria anunciado um hiato. Daquele tipo indefinido. Que poderia, sim, ter fim um dia. Mas que naquele momento, eles não sabiam dizer QUANDO acabaria.

Seis anos depois, em 2020, em plena pandemia, Nally resolveu quebrar o silêncio e trouxe o Foxy Shazam de volta à vida, com alterações na formação, mas um desejo genuíno e mais pura ambição de continuar construindo seu próprio DNA melódico. A partir dali eles lançariam, por seu selo próprio, o eeeoooah, outros três discos até então: “Burn” (2020), “The Heart Behead You” (2022) e “Dark Blue Night” (2023).Este ano, colocaram no mercado o gostosinho “Animality Opera”.
Mas sobre o futuro… bom, dá pra dizer que o vocalista é bem pouco modesto. “Nosso objetivo final para esta banda é ser a maior banda do mundo e entrar para a história fazendo o que fazemos”.
Bom, pelo menos James Gunn já acredita que vocês estão quase lá, meus caros. 😉
Maaaaaaaaaaaas antes do Pacificador…
Se você foi assistir ao novo filme do Superman, já teve a chance de conhecer o Foxy Shazam. Ou quase isso.
Na película, quando Clark Kent diz pra Lois Lane a sua já clássica fala sobre ser punk rock, ele lista algumas bandas que curte – e entre elas estão os The Mighty Crabjoys. Cujo pôster, aliás, está na parede de seu antigo quarto na casa dos pais em Smallville, devidamente percebido pela perspicaz (e ainda mais punk rock ainda, rs) Lois. Eles são a mesma banda cuja camiseta o Frankenstein também estava usando na série animada “Comando das Criaturas” (outra criação de Gunn, aliás).
Então… mas os Mighty Crabjoys não existem, na verdade. Ou, pelo menos, na vida real.
Só que os Mighty Crabjoys (que, inclusive, gravaram uma música que toca nos créditos finais do filme, junto de “Punkrocker”, do mestre Iggy Pop com os suecos do Teddybears) são o Foxy Shazam. Tocando ao lado da cantora Lou Lou Safran. Que, sim, pelo sobrenome, já entrega o parentesco: ela é filha do produtor Peter Safran, que é co-CEO do DC Studios com James Gunn.
Ahhhhhhhh. Então tá explicado. 😉
O single “Oh Lord”: origem, significado e impacto
Lançado em 2010, “Oh Lord” é o terceiro single do álbum “Foxy Shazam”. O cantor e líder do grupo, além de autor da faixa, explica que ela tem uma razão muito especial de existir.
“Essa música é sobre o meu filho, Julian, e fala sobre os momentos difíceis e os bons da vida. Ele não entende muito bem agora, eu acho, porque é jovem, mas é muito legal pensar nisso”, explica ele. “Mais tarde, quando eu já não estiver mais aqui, ele poderá ouvi-la quando for mais velho e poderá pensar que alguém era tão apaixonado por ele e escreveu algo sobre ele”.
O videoclipe, dirigido por Jeremy E. Jackson, reflete o estilo ousado e visual da banda. “É muito mais fácil entender um som quando você consegue ver como ele se parece. Tudo, de vídeos a fotos e qualquer coisa artística e visual que a banda faça, vem de mim. O resultado final é exatamente o que queremos”.
Por que essa combinação faz todo sentido pro Pacificador?
Assim como foi a 1ª temporada, a 2ª parece continuar no clima “farofento-rockeiro” com abertura dançante, agora guiada por uma música que equilibra riffs impactantes, melodias gigantes e uma mensagem de superação (que parece conectar também a herança que o pai de Chris deixou pra ele, lembrando principalmente do final da sequência anterior de episódios).
Pois enquanto a gente ainda não vê a nova abertura, sugiro você dar o play no vídeo abaixo e já ir entrando no clima de “Oh Lord”.