Jornalismo de cultura pop com um jeitinho brasileiro.

10 gibis brasileiros pra você apoiar no Catarse

Separamos aqui algumas obras nacionais que estão buscando apoio via financiamento coletivo para se tornarem realidade 🙂

Por THIAGO CARDIM

Claro que a gente reclama de as redes sociais terem dado voz a um bando de imbecis que podem destilar todo tipo de intolerância, assim como também nos indignamos com a quantidade de mentiras espalhadas em tempo real por um WhatsApp da vida, tudo sem qualquer regulação. Este é o lado merda da vida digital.

Mas, ao mesmo tempo, vejam aqui comigo o tal do copo meio cheio: vivemos em uma realidade digital que TAMBÉM trouxe muitas notícias positivas, de alguma forma – como a possibilidade de ajudarmos os artistas que curtimos, diretamente e sem atravessadores.

Cada um de nós pode ser um pouquinho mecenas, no fim do dia: com um pouco de grana que seja, agora temos a chance de dar uma força para que artistas independentes, sem o apoio de grandes marcas ou editoras, transformem seus projetos em realidade.

A gente separou aqui dez projetos de gibis atualmente buscando financiamento no Catarse, para todos os gostos, que com certeza valem a pena o seu olhar.  Obviamente que existem muitos e muitos outros na plataforma, talvez até um deles com AQUELE artista que você ama e descobriu que pode ajudar, com um valor menor do que você gastaria com um lanche ruim numa lanchonete pior ainda.

Vem com a gente! 😉



APOCALIPSE ILUSTRADO


Extrema-direita no poder, pandemia, golpe, crise climática, crise econômica, outro golpe…por quantos apocalipses passamos nos últimos anos? Tem gente que prefere esquecer, mas Cris Vector está aí para nos lembrar e não deixar o mundo acabar porque alguém não compreendeu o que se passou. Não entendeu? Cris desenha. Mais que uma coletânea de charges e ilustrações, Apocalipse Ilustrado é um registro dos quatro apocalipses galopantes que enfrentamos em nossa história recente: o político, o sanitário, o ambiental e o moral. Cris começou a publicar seus desenhos nas redes em 2018, quando o barraco que chamamos de realidade começou a desabar. Conquistou seguidores com seu traço limpo, claro, pseudofofinho, com seu humor afiado e sua combatividade intrépida.



LIMIAR

Uma companhia enigmática, uma menina e uma viagem por uma cidade de memórias a desaparecer. Um passeio de domingo em um dia ensolarado se transforma em um momento curioso, quando tudo desaparece e uma figura misteriosa a convida para caminhar em uma jornada que atravessa a realidade, o sonho e a memória. Limiar é um passeio por memórias, sentimentos e descobertas. Uma HQ sobre ressignificar e seguir adiante sem arrependimentos. Roteiro de Carol Favret com arte de Pedro Balduino e cores de Renan Lino – além do trabalho editorial da incansável Zapata Edições.



CORAÇÃO KAIJU

A HQ conta a história de Kaio, um garoto de 13 anos criativo e desajeitado que – como todos nós – tem dificuldade de confiar em seus sentimentos. Ele não é o melhor aluno da classe, não tem toda a coragem que gostaria de ter, e ele sequer sabe o nome da garota que ele gosta! Em meio a todas as questões da despedida da infância e início da adolescência, Felipe, seu melhor amigo, lhe dá o “pontapé inicial” para ser mais direto com seus próprios sentimentos – ameaça falar com a garota que Kaio é apaixonado, se ele mesmo não falar com ela. No meio dessa confusão de dois lados, Kaio decide que o jeito mais fácil de declarar seu amor é derrotando o monstro gigante que está vindo em direção de sua cidade, e salvar seus amigos no processo. Obra da Aspargos, também conhecida como Yumi Miranda.



PORTAS PARA O ABSURDO

Um quadrinho autoral criado pelo Ots, no qual ele mergulha num universo narrativo, fantástico e poético e se inspira num dos eventos mais grandiosos da existência. Sem a necessidade de heróis musculosos nem vilões cruéis. Há apenas curiosidade, leve, lúdica e simbólica. Uma menina caminha por sua cidade, compra uma fruta na feira como em qualquer outro dia. No seu caminho de volta, ela avista algo que não estava lá ontem. Um parque? Curiosa, ela entra… Esse é um quadrinho para tocar em lugares profundos — mesmo que de forma singela.



PRA QUE CORRER?

Um bem-humorado guia de curiosidades de como a preguiça (e não a necessidade, como diz o velho ditado) é a mãe da invenção, onde o protagonista mostra algumas das coisas que inventamos e porque inventamos. Afinal, pra que correr, se o ser humano inventou o cavalo? HQ de Leo Finocchi, quadrinista e animador 2D. Vencedor de 3 HQMix, dois de Melhor Publicação de Humor com o Guia Culinário do Falido (2016) e Hell No! (2020) e de Melhor Web Quadrinho com o Hell No! (2018) e o Prêmio Cubo de Ouro de Melhor Literatura Geek com o Hell NO! (2018) e Visita (2024).


MADRUGADA DOS MONSTROS

A “Madrugada dos Monstros” reúne duas histórias que acontecem em paralelo: Rogério e Simone pegam uma estrada errada no interior de Goiás e trombam com vampiros que buscam vingança. Enquanto isso, em São Paulo, Kai retorna a um local de seu passado e descobre que demônios estão perseguindo a neta de sua antiga mentora. Esse projeto começou a partir de tirinhas de terror que Jack Azulita começou a postar no Instagram. Com o tempo, elas foram conquistando o público, que sempre pedia por continuações e mais histórias envolvendo alguns personagens. Pensando nisso, ele desenvolveu essas histórias ligando algumas tirinhas anteriores e criando uma narrativa que coloca tudo num mesmo universo de caçadores de monstros.



ORIXÁS – A PAIXÃO DE OXALÁ

“Orixás – A Paixão de Oxalá” adapta para as HQs este famoso itan (histórias sagradas e mitos que contêm a sabedoria ancestral e a cosmologia da cultura iorubá), onde Oxalá vai visitar seu filho, Xangô, na cidade de Oyó, mas acaba enfrentando as armações de um vingativo Exu. O roteiro é de Alex Mir e a arte fica por conta de Germana Viana. O objetivo da série Orixás é mostrar ao leitor toda a riqueza das lendas da Mitologia Africana. Todas as edições têm tramas fechadas e podem ser lidas em qualquer ordem.



ATÉ VIRAR CINZAS

Depois de “Colorindo a Dor”, HQ autobiográfica explorando sua batalha contra a depressão, a artista Priscila Gallicchio agora faz uma história em quadrinhos sobre burnout — e sobre uma geração inteira que adoeceu tentando dar conta de tudo. Na obra, ela fala sobre o esgotamento, a dor silenciosa e o caminho de quem, pouco a pouco, se consome até virar cinzas. Mas também sobre a possibilidade de transformar essa experiência em acolhimento e reflexão coletiva.



AGONIA

Uma coletânea de horror da Kaiju Editora com nove histórias que traduzem para os quadrinhos medos profundos, libertando coisas que jamais deveriam ver a luz do dia. 17 autores brasileiros trazem contos originais que exploram variados subgêneros do terror em estilos diferentes de arte. São 100 páginas que colocam você nas situações mais estranhas e inquietantes. Honrando a tradição das grandes obras de horror do quadrinho nacional, em Agonia, você encontrará bruxas, demônios, transmorfos, monstros e tudo que existe de nefasto, incluindo o ser humano, te fazendo sentir aquele calafrio que sobe pela espinha quando temos a impressão de estarmos sendo observados no escuro…



LOBISOMEM

Em mais de 30 anos, por três editoras, o roteirista paulistano Gedeone Malagola escreveu cerca de 1.000 páginas de um lobisomem bem particular, cuja mitologia foi cuidadosamente criada por ele e desenvolvida em tramas bem armadas que marcaram época. Com textos de Malagola (e outros roteiristas, como Milton Mattos), as histórias do Lobisomem foram ilustradas por grandes mestres dos quadrinhos brasileiros, como Rodolfo Zalla, Nico Rosso, Edmundo Rodrigues e Rodval Mathias.

Mas foi com o artista Sérgio Lima, que Gedeone teve sua mais prolífera parceria. Dono de um traço muito elegante, Lima desenhou quase 500 páginas do Lobisomem. E é exatamente esse material que a Editora Noir, em parceria com a Editora Heroica, traz nesse omnibus tão especial de 512 páginas.
Essas HQs saíram entre 1967 e 1970, pela Gráfica e Editora Penteado (GEP), que publicou 22 números da revista O Lobisomem – O Demônio da Noite (além de dois almanaques anuais), que marcaram a história dos quadrinhos de terror no Brasil.



::: LEIA TAMBÉM :::
20 Catarses recorrentes de artistas para apoiar