Habla, Zé do Boné: um pouco do futuro do MCU
O chefão da Marvel Studios, Kevin Feige, convidou um montão de jornalistas pra falar com foco na estreia do Quarteto Fantástico – mas claro que deu pistas também sobre os próximos passos, Guerras Secretas, Homem-Aranha, X-Men. A gente fez um apanhadão aqui pra você!
Por THIAGO CARDIM
Na última semana, o Zé do Boné, também conhecido pela alcunha de Kevin Feige, aproveitou que o filme do Quarteto Fantástico se aproxima (ou seja, estreia nesta quinta-feira, dia 24) para reunir a imprensa internacional em seu QG, no qual discutiria não apenas o filme vindouro mas também os próximos planos da Marvel Studios. Na sala na qual conversou com jornalistas de publicações como Variety, The Hollywood Reporter e Collider, ele mostrou uma parede coberta com portinholas de venezianas que são protegidas por um cadeado.
Ali, segundo ele, estavam os planos para os próximos sete anos do Universo Cinematográfico Marvel. “Tradicionalmente, é um plano de cinco anos”, disse ele. “Acho que agora vai até 2032”.
Antes de começar a disparar novidades – que, ao invés dos veículos tradicionais, a gente reuniu aqui em um ÚNICO texto, pra você ler tudo de uma só vez – Feige fez questão de reforçar que SABE que a Marvel exagerou no número de produções nos últimos anos. “Produzimos 50 horas de histórias entre 2007 e 2019”, disse. “Mas nos seis anos desde que ‘Vingadores: Ultimato’ concluiu a Saga do Infinito, “tivemos bem mais de 100 horas de histórias — na metade do tempo. É demais”.
Depois de “Ultimato”, Feige explica que disse que a empresa entrou em um período de “experimentação” e “evolução” nos tipos de filmes que produzia, levando a projetos como “Eternos” e “Shang-Chi” (ambos BASTANTE subestimados). “Sempre pensei que, se você pega o sucesso e não experimenta e não arrisca, então não vale a pena”, afirma. “O que também acabamos focando por causa do Disney+ foi a expansão — e foi essa expansão que eu acho que levou as pessoas a dizerem: ‘Costumava ser divertido, mas agora eu preciso saber tudo sobre tudo isso?'”.
Agora, conforme já mencionado em outras conversas, teremos MENOS produções por ano, tanto na TV quanto nos cinemas. Enquanto a produção de longas-metragens da Marvel está diminuindo para, no máximo, três filmes por ano (um ritmo que o MCU atingiu pela primeira vez em 2017), sua produção televisiva está esfriando ainda mais, com muitas vezes apenas uma série live-action por ano. E as séries que eles produzirem terão muito menos conexões com os longas-metragens, para desmistificar o público da expectativa de que ele PRECISA assistir a tudo para acompanhar o que está acontecendo em qualquer projeto do MCU.
Quer um exemplo? Quando perguntado se a sequência final de “Thunderbolts*” seria de alguma forma abordada na segunda temporada de “Demolidor: Renascido”, a resposta foi categórica: NÃO.
“Acho que permitir que um programa de TV seja um programa de TV é o que estamos buscando”, explica. E eu aqui do meu lado acho JUSTÍSSIMO.
Outra coisa que eles não querem mais fazer: deixar produções guardadas na gaveta por tanto tempo – como foi o caso de “Coração de Ferro” e da série do Magnum (por enquanto chamada pelo nome original, “Wonder Man”), estrelada por Yahya Abdul-Mateen II e que chega em dezembro ao Disney+. Trazendo como protagonista um aspirante a ator com superpoderes que esconde suas habilidades em busca de um papel de super-herói, a série brinca com estereótipos de Hollywood – estando pronta muito antes de sátiras como “A Franquia” (HBO Max) e “O Estúdio” (Apple TV).
Uma coisa, no entanto, se tornou realidade: os orçamentos se tornaram BEM menores. Feige disse que, de “Deadpool & Wolverine” até “Quarteto Fantástico”, os filmes se tornaram pelo menos um terço mais baratos. “Acho que todo mundo está nesse estado de espírito, pelo menos na Disney”, disse Feige sobre o apertar de cintos. “Acho que precisa melhorar. A IA vai conseguir isso? Não sei”.

Um novo mundo a partir dos quatro fantásticos
A decisão de ambientar o filme do Quarteto Fantástico em um mundo paralelo, fora do universo regular onde se passa o MCU, se deu para causar um efeito similar ao que acontece com o filme do Superman: você assiste sem se ficar fazendo lá muitas perguntas. Simplesmente mergulha na história e tudo bem. “Não queríamos ter a questão dos Eternos, do tipo ‘Onde eles estavam, onde estiveram, por que não ajudaram com o Thanos?’. Queríamos que eles ficassem separados da nossa realidade para que não precisássemos dizer: ‘Olha, eles estavam se escondendo aqui’”. A ideia é que não haja necessidade de conhecimento prévio e tudo que você precisa saber sobre os personagens seja apresentado em 10 minutos.
Os quatro atores que estrelaram o filme do Quarteto Fantástico lá de 1994 (os ilustres desconhecidos Alex Hyde-White, Jay Underwood, Rebecca Staab e Michael Bailey Smith), aquele produzido pelo mestre dos filmes B Roger Corman, participam fazendo pontas neste novo filme da família de super-heróis.
E sim, das já anunciadas duas cenas pós-créditos, pelo menos uma foi dirigida pelos Irmãos Russo – o que já indica, portanto, uma conexão direta com “Vingadores: Doomsday” (ainda sem título em português revelado).
“Homem-Aranha: Um Novo Dia” (Spider-Man: A Brand New Day), com estreia prevista para 30 de julho de 2026, deve mesmo levar o Cabeça de Teia para lutar num esquema mais urbano, com inimigos mais street level (e a gente agradece aos céus por isso). A direção é de Destin Daniel Cretton – cineasta que cuidou do filme do Shang-Chi – e, além de Tom Holland e Zendaya, estão confirmadas no elenco Liza Colón-Zayas (a Tina da série “The Bear”) e Sadie Sink (a Max de “Stranger Things”), ambas em papéis não-revelados… embora muita gente espalhe por aí rumores dela sendo uma Jean Grey da vida.
Maaaaaaaaaaas Feige também confirmou que teremos Jon Bernthal como o Justiceiro em “Homem-Aranha: Um Novo Dia”. Diz ele: “Então, quando você faz isso, você pensa: ‘Ok, quem são os outros personagens urbanos com quem nunca o vimos interagir?’. E, claro, eu adoro que o Justiceiro tenha começado em uma história em quadrinhos do Homem-Aranha. Aquela capa incrível… Não quero falar muito, mas Destin — vou falar demais — Destin está fazendo um trabalho incrível agora naquele filme, cujas filmagens começam em breve. E ele tem oito ou nove capas de quadrinhos penduradas na parede do seu departamento de arte, às quais está dando vida neste filme, o que é superlegal”.
A respeito de “Vingadores: Doomsday”, que estreia em 18 de dezembro de 2026 e traz de volta Robert Downey Jr. só que agora como o vilão Victor Von Doom/Doutor Destino, o que Feige garante é que ANTES do terceiro filme do Homem-Formiga o Kang já tinha sido deixado de lado – portanto, antes mesmo do comportamento abusivo do ator Jonathan Majors com a namorada se tornar público. “Começamos a perceber que Kang não era grande o suficiente, não era Thanos, e que só havia um personagem que poderia ser assim, porque ele foi assim nos quadrinhos por décadas e décadas”, contou. “Começamos a falar sobre o Doutor Destino antes mesmo de oficialmente deixarmos Kang de lado”.
Sobre isso, olha, confesso que eu não acredito muito, hahahahahahaha
A respeito do que vai acontecer depois de “Vingadores: Guerras Secretas” (com estreia prevista pro dia 17 de dezembro de 2027), Feige faz referência clara à versão escrita por Jonathan Hickman em 2015, que envolveu múltiplas linhas do tempo entrando em colapso e se reconvertendo, misturando os personagens da linha do tempo principal da Marvel no processo. “Estamos utilizando essa história não apenas para completar as histórias que temos contado depois de Ultimato, mas também para — e você pode checar os quadrinhos de Guerras Secretas para saber aonde isso nos leva — nos preparar para o futuro. Ultimato, literalmente, era sobre finais. Guerras Secretas é sobre começos”.
Aí, ele deu uma volta quando perguntado se “Guerras Secretas” marcaria um reboot, um recomeço completo do MCU. “Reboot é uma palavra assustadora”, disse ele. “Reboot pode significar muitas coisas para muitas pessoas. Reset, linha do tempo singular — estamos pensando mais por aí”. Ou seja: não um recomeço. Mas uma reorganização, talvez misturando personagens de diferentes linhas do tempo em uma só. Como o Hickman fez com o Universo Ultimate, por exemplo.

Um primeiro ponto de partida depois de “Guerras Secretas” são mesmo os X-Men – cujo primeiro filme será mesmo dirigido por Jake Schreier, o diretor de Thunderbolts*. Apesar de “Doomsday” ter confirmados no elenco diversos nomes da trupe original dos mutantes da era Fox, como Patrick Stewart (Professor Xavier), Ian McKellen (Magneto), Alan Cumming (Noturno), Rebecca Romijn (Mística), James Marsden (Ciclope) e Kelsey Grammer (Fera), o futuro da equipe é ter novos atores nestes papéis. E provavelmente, com foco numa pegada até mais adolescente. “X-Men têm sido sobre contar histórias de jovens que se sentem diferentes, que se sentem excluídos e que não pertencem”, disse ele. “Essa é a história universal dos mutantes, e é para lá que estamos indo”.
Pra completar este lance de “reescalação” de atores, ele deixou claro que, assim como a Amazon está agora em busca de um novo James Bond, nada impede que eles não procurem novos nomes para viver personagens como o Homem de Ferro e o Capitão América. “Acho que é difícil para qualquer um fazer isso quando um ator fez um papel tão bom. Mas não é impossível”.
Novidades? Novos projetos? Olha… mais ou menos, viu? Porque, quando questionado se planeja fazer filmes focados em um único personagem, como foi o caso de Shang-Chi, ao invés de grandes equipes com muitos personagens, ele disse que sim. Mas… “Estávamos falando sobre a estrutura de um futuro filme pós-Guerras Secretas, que não vou citar”, explicou. “Mas, como aconteceu com Shang-Chi, significa voltar a pensar em qual gênero ainda não fizemos e queremos fazer, e como este filme poderia ser nesse gênero? Nos concentraríamos em uma história única, abraçando um gênero específico que não vemos há algum tempo”.
Eu queria DEMAIS que fosse um musical, hahahahahaha
Mas e um tal de Blade, continua nos planos deles? Pô, por incrível que pareça, continua DEMAIS. E com Mahershala Ali ainda como protagonista. Feige explicou que os atrasos prolongados no retorno do caçador de vampiros foram um sintoma da “expansão excessiva” da Marvel — como o executivo caracteriza a resposta do estúdio à ordem da Disney de produzir mais conteúdo no início do serviço de streaming Disney+.
Assim, quando a Marvel começou a reavaliar seu processo de desenvolvimento, o “Blade” — originalmente anunciado em 2019 e previsto para estrear nos cinemas em novembro de 2023, RISOS — foi um dos projetos que parou. “Não queríamos simplesmente colocar uma roupa de couro nele e fazê-lo começar a matar vampiros. Tinha que ser único”, explicou Feige. “Chegou a um momento em que começamos a recuar e dizer: ‘Aceitem apenas o incrivelmente ótimo’. E não era ‘incrivelmente ótimo’ na época”. De acordo com ele, tivemos três ou quatro versões do roteiro, algumas delas ambientadas no passado, inclusive. “Mas chegamos nos dias atuais”.
Com as respectivas saídas dos diretores Bassam Tariq e Yann Demange do projeto, muita gente começou a questionar se, depois de “Pecadores”, talvez Ryan Coogler não poderia assumir a direção de “Blade”… mas Feige negou veementemente. Afinal, ele está preocupado em tocar “Pantera Negra 3” que, sim, o chefão do estúdio confirmou que está em andamento e vai mesmo acontecer.
Por enquanto, no entanto, ainda sem data confirmada.

Ah, sim, teve agenda woke na conversa também…
Sobre diversidade, um assunto que foi importantíssimo para eles nas produções dos últimos anos, com os resultados abaixo do esperado, como fica? Ainda mais nos EUA de Trump e sua agenda conservadora? Feige pareceu despreocupado sobre o assunto. “A Marvel representa o mundo do lado de fora da sua janela”, afirmou. “Eu sempre disse isso, antes de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) e woke se tornarem realidade e depois de DEI e woke se tornarem realidade”. Ele destacou Iman Vellani, por exemplo, a estrela de “Ms. Marvel” e “As Marvels“, como “uma das melhores escalações que já fizemos”, acrescentando: “Mal posso esperar para vê-la em algum lugar”.
Sobre Miss Marvel, aliás, e aquela história dela começar a recrutar algo que se parece com os Jovens Vingadores? Kevão sabonetou e fugiu da resposta. “Potencialmente”, soltou no ar. “Nesse caso, tudo se resume a onde está a melhor história e onde está a melhor alquimia estranha. Com quem seria divertido vê-los? Um com o outro, porque é isso que os Jovens Vingadores são, mas também misturando mais”.
Mas pelo menos UM herói jovem está fora dos planos do MCU por enquanto: Miles Morales. Nada de versão live-action por agora. Pelo menos, até que a Sony Pictures (que detém os direitos cinematográficos do personagem, vamos lembrar) conclua sua trilogia animada de Miles com “Homem-Aranha: Além do Aranhaverso”, em 2027. “Nos disseram para ficarmos longe”.
Tá bom, vai, mas e sobre este monte de personagens que andaram sendo apresentados em cenas pós-créditos recentemente? Tipo a Clea (Charlize Theron), o Hércules (Brett Goldstein) e o Starfox (Harry Styles)? Feige lembrou que Tim Blake Nelson retornou como o Líder em “Capitão América 4” – mesmo 17 anos depois de sua aparição naquele filme do Hulk com o Edward Norton. “Falamos sobre isso daqui uns 12 anos e vemos quem volta”, brincou.
AH, ENTÃO TÁ BOM.
No entanto, de maneira absolutamente genérica, ele disse que os personagens que foram apresentados depois de “Ultimato” aparecerão novamente em alguns dos próximos filmes e além. “A graça dos quadrinhos é que qualquer um aparece em qualquer lugar”.
Isso quer dizer, também Deadpool e Wolverine, depois do sucesso que foi o filme da dupla? “Acho que temos mais diversão na manga com ambos. Mas temos que ver ONDE”.
Ah, mas quantos mistérios o Zé ainda esconde embaixo do seu boné…
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Fernanda
Quero deixar aqui meu agradecimento por esse textão resumindo tudo! Até comecei a ler as centenas de tweets sobre o que o Zé Boné falou, mas é muita repetição e frase mal cortada, fora do contexto – e também faz falta ter os comentários e impressões, que aqui foram muito bem colocados. Abraços!