As melhores séries de 2025 (segundo quem realmente assistiu)
Entre estreias promissoras, retornos aguardados e muita primeira temporada acertando em cheio, estas foram as 15 séries que marcaram nosso 2025: sem ranking, sem consenso e sem fingir neutralidade.
Por GABRIELA FRANCO & THIAGO CARDIM
Ano novo, lista nova: seguimos firmes na nossa tradição de “melhores do ano”, agora falando de séries. Antes de qualquer coisa, alguns avisos importantes – isso não é um ranking, não pretende ser definitivo e, sim, reflete aquilo que a gente conseguiu assistir, digerir e amar em meio ao tal do colapso criativo das plataformas. E um dado que diz muito sobre 2025: das 15 séries escolhidas aqui, nada menos que 10 são primeiras temporadas. Ou seja, o futuro ainda mora muito mais nas estreias do que nos universos já espremidos até a última gota.
Ah, e antes que alguém pergunte, vale o reforço: não, Pluribus não está na lista. É uma boa série, sim; mas boa não é sinônimo automático de “melhor do ano”. Aqui entram aquelas que ficaram martelando na (nossa) cabeça, renderam conversa, análise, paixão ou ódio sincero. As que sobreviveram ao scroll infinito e justificaram cada minuto investido. Agora sim, bora pra lista.
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Andor – 2a Temporada (Disney+)
Essa é uma narrativa de Star Wars para além da Força, que encara de frente o fascismo e a tirania imperial e seus desdobramentos reais, quase tangíveis, na vida das pessoas comuns. “Andor” é, enfim, o Star Wars que tira o foco das lendas e o coloca nos anônimos — aqueles que tornam a rebelião possível.
The Bear – 4a Temporada (Disney+)
Nesta nova temporada, o que temos são 10 episódios muitíssimo bem amarrados, com um nível de tensão menor do que nas temporadas anteriores – mas carregadíssimos em muito mais emoção. Porque Carmy começa a perceber que está se tornando alguém que NUNCA quis ser. E que está, inclusive, se afastando daquilo que deveria ser a sua real paixão.
Task – 1a Temporada (HBO Max)
No fim do dia, Task é mais até do que apenas Mare of Easttown se olhando no espelho – é, na verdade, Mare of Easttown completamente virada do avesso. Task e Mare of Easttown parecem existir no mesmo universo, de alguma forma. Porque Task acaba explicando por qual razão as mulheres de Mare of Easttown precisam se proteger da forma que o fazem.
The Mighty Nein – 1a Temporada (Prime Video)
A nova produção do Critical Roletem ares de uma nova campanha de RPG que um grupo que joga junto há muito tempo resolve arriscar jogar, agora apostando numa história mais madura, mais pessoal, em alguns momentos até mais introspectiva, cuja trajetória pessoal de cada personagem lhes força um tipo de interpretação com um toque ainda maior de tristeza e tragédia.
It: Bem-Vindo a Derry – 1a Temporada (HBO Max)
Prato cheio pra fãs de filmes de terror – que vão entender exatamente o que aconteceu, do início ao fim, sem precisar de explicações adicionais. Mas também é uma saborosa refeição completa pra quem se apaixonou pelo universo dos dois filmes e vai sacar a construção amplificada da cronologia. E um belíssimo banquete para os fãs devotos de Stephen King, que vão encontrar easter eggs muitíssimo bem-posicionados.
Pacificador – 2a Temporada (HBO Max)
No fim das contas, James Gunn estava conduzindo a jornada do Pacificador, numa trama sobre o Pacificador e que se fecha em si mesma ao dar uma conclusão (ou quase isso) para a redenção do Pacificador. Ponto. Um personagem que começou a questionar a sua própria história e o ser humano que ela o forçou a se tornar.
Adolescência – 1a Temporada (Netflix)
A gente até gravou um podcast inteiro a partir da série. Porque não queremos discutir plano sequência. E sim a importância do diálogo. De entender os códigos que muitos pais ignoram. De errar. De não enxergar no filho uma continuação de você. Usar a série como uma oportunidade de falar sobre masculinidades, redes sociais, sexualidade e uma nova construção de personalidade.

Departamento Q – 1a Temporada (Netflix)
O depoimento da Gabi, depois de maratonar todos os episódios, resume bem, a saber: “série do jeitinho que eu gosto, uma investigação policial de primeira. E ainda tem o gatinho do Matthew Goode (que confesso, tá só o chassi de grilo)”. O legal aqui, no fim, é que construção narrativa vai crescendo devagar, com tons despretensiosos, e no fim acaba entregando tudo.
A Rabina – 1a Temporada (HBO Max)
Sem alarde, a série francesa entrega o que importa: roteiro afiado, atuações sensíveis e alma. São só 8 episódios de meia hora, mas bastam para te fisgar. Cada episódio é uma pérola de humanidade e dilemas contemporâneos: circuncisão, barmitzvá, encontros fracassados. A série tem humor judaico, crítica social e uma protagonista que tropeça, cresce e emociona.
Ruptura – 2a Temporada (Apple TV)
Se a temporada 1 foi aquela verdadeira metralhadora de pensatas a respeito do ambiente corporativo, com a qual todo mundo se conectou, esta segunda rodada de episódios manteve a sensação de estranheza e non-sense, mas agora aprofundando ainda mais no aspecto humano dos personagens, trazendo inclusive alguns pontos particularmente incômodos. Adoramos.
Comando das Criaturas – 1a Temporada (HBO Max)
Antes do Superman e antes do Pacificador, ESTE foi o real ponto de partida pro novo DCU de James Gunn – e, como é costumeiro nas obras do diretor, temos aqui uma ótima dinâmica de equipe entre personagens esquisitos (o Doninha, cara, o DONINHAAAAAA!) e igualmente uma trilha sonora de responsa.
Pablo & Luisão – 1a Temporada (Globoplay)
O que o Paulo Vieira faz aqui, com a cristalização do que começou como uma thread no Twitter com histórias sobre a sua infância, é ouro puro. É Brasil em sua mais plena essência, é comédia do tipo que te faz rolar de rir ao mesmo tempo em que você enxerga claramente a SUA família ali… e também consegue te emocionar plenamente num grau que, olha… APLAUSOS DE PÉ.
O Estúdio – 1a Temporada (AppleTV)
Se mais do que gostar da indústria do entretenimento estadunidense, você de alguma forma também está ligado a ela, quer seja trabalhando, quer seja se aprofundando mais nos bastidores, esta série é feita na medida pra você. Seth Rogen e Evan Goldberg não poupam ninguém (nem eles mesmos) ao longo de episódios com muitas participações especiais de atores e diretores vivendo a si mesmos…
Long Story Short – 1a Temporada (Netflix)
Nova série animada de Raphael Bob-Waksberg, showrunner e criador de BoJack Horseman. Pode parecer apenas um enorme pastelão familiar, que fica indo e voltando no tempo pra mostrar como pai, mãe e filhos mudaram e formaram as suas próprias famílias – e é um pouco isso mesmo. Mas com emoção e sutileza o bastante para formar um retrato fidedigno de uma família judia.
O Monstro em Mim – 1a Temporada (Netflix)
O recurso das viradas surpreendentes na trama acaba não sendo assim tão surpreendente quando é usado de maneira leviana e, claro, escrito com os cotovelos. Mas aqui, a cada episódio você é apanhado pelos calcanhares com uma surpresa que leva a história para OUTROS lados… e que, mesmo assim, faz um sentido danado. Belíssimo thriller.